Da redação
O governo federal decidiu trocar o comando do INSS, demitindo o procurador federal Gilberto Waller Júnior e nomeando Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira do órgão. A mudança foi motivada pela necessidade de enfrentar a fila de espera de benefícios, que atingiu 2,7 milhões de pessoas em março, mesmo após avanços no combate às fraudes nos descontos associativos.
Waller afirmou a interlocutores ter sido surpreendido pela demissão, anunciada pelo secretário executivo do Ministério da Previdência, Felipe Cavalcante e Silva. Ele negou que a fila do INSS tenha sido o motivo real de sua saída, alegando melhoria recente dos números. Apesar disso, o governo avaliou que o número de pessoas na fila permaneceu no mesmo patamar de março de 2025, não tendo diminuído proporcionalmente ao volume de novos requerimentos.
Nomeado presidente do INSS em abril de 2023, Waller substituiu Alessandro Stefanutto, afastado após a Operação Sem Desconto da Polícia Federal. O governo considerou que Waller priorizava a concessão de bônus para peritos como solução para a fila, mas ele mencionou outras ações, como a nacionalização da análise dos processos do INSS.
A nova presidente, Ana Cristina, foi indicada pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, que optou por continuar no governo. Ana Cristina presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) de 2023 a 2026 e alcançou redução significativa no tempo de espera e volume de processos. Durante sua gestão, o tempo médio de tramitação caiu de 431 dias, em 2024, para 169 dias em 2026, uma redução de 61%. O número de processos com mais de 180 dias de espera também caiu 73,5% em 2025.
A troca no comando visa evitar desgastes para o governo e para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diante do aumento das filas do INSS.






