Início Eleições Encerrada votação histórica no Peru e Keiko Fujimori assume vantagem

Encerrada votação histórica no Peru e Keiko Fujimori assume vantagem


Da redação

O segundo dia excepcional de votação nas eleições do Peru foi encerrado nesta segunda-feira (13) para cerca de 50 mil eleitores que não conseguiram votar no domingo devido a atrasos em locais de votação, especialmente em distritos de Lima. Em resposta à situação, o Jurado Nacional de Eleições denunciou Piero Corvetto, chefe da ONPE (órgão organizador das eleições), por supostos crimes contra o direito de voto, obstrução do ato eleitoral e omissão de funções, alegando falta de comunicação sobre a ausência de material eleitoral.

A apuração preliminar, com 57% das urnas contabilizadas, aponta a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, liderando com 17% dos votos. O segundo colocado ainda está indefinido, com nomes como o ultraconservador Rafael López Aliaga e o social-democrata Jorge Nieto entre os mais cotados. Projeções da Ipsos também indicam o esquerdista Roberto Sánchez na disputa pelo segundo turno.

Keiko, que comemorou o desempenho na madrugada desta segunda, declarou: “O inimigo é a esquerda […] Não estariam na etapa seguinte e isso é positivo para todos os peruanos”. Sánchez, por sua vez, defendeu “a refundação do país” com uma nova Constituição. Carlos Meléndez, cientista político, destaca que um eventual segundo turno entre Keiko e López Aliaga favoreceria a candidata, que enfrentaria alguém ainda mais à direita pela primeira vez.

A crise de segurança pública domina o debate eleitoral. Desde 2018, homicídios dobraram e extorsões cresceram oito vezes. Keiko promete medidas radicais, como retirar o Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos, reintroduzir “juízes sem rosto” e militarizar prisões. López Aliaga sugere prisões na Amazônia e deportação em massa de imigrantes irregulares. Já Sánchez propõe expurgo na polícia e revogação de leis que, segundo ele, favorecem o crime.

O próximo presidente peruano enfrentará o desafio do aumento da criminalidade e da instabilidade política, que resultou em oito presidentes nos últimos dez anos.