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Xi alerta: Não podemos permitir o retorno ao caos global diante da postura de Trump


Da redação

O presidente da China, Xi Jinping, fez nesta terça-feira (14) uma das críticas mais incisivas às ações dos Estados Unidos no Oriente Médio. Em Pequim, durante encontro com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed al-Nahyan, Xi declarou que não se pode “permitir que o mundo volte à lei da selva”, referindo-se às medidas do presidente Donald Trump contra o Irã.

Xi apresentou um plano genérico pela paz na região, que passa por um cessar-fogo frágil há uma semana. Segundo ele, a paz deve ser baseada em coexistência pacífica, respeito à soberania, proteção ao Estado de Direito e desenvolvimento conjunto, sem abordar questões centrais como o programa nuclear iraniano. Xi também criticou a postura dos EUA: “O Estado de Direito não pode ser usado quando é conveniente e descartado quando não é”.

O bloqueio naval imposto por Trump ao Irã, em vigor desde segunda-feira (13), preocupa Pequim. O governo chinês classificou a restrição como “irresponsável e perigosa”, exigindo a reabertura das rotas de navegação. Antes do conflito, cerca de 140 navios cruzavam diariamente o Estreito de Hormuz, número que caiu 90% após o início das hostilidades.

Segundo a consultoria britânica Kpler, ao menos seis embarcações passaram por Hormuz na segunda-feira pós-bloqueio, incluindo o Rich Star, navio chinês com 250 mil barris de metanol. O Comando Central dos EUA afirmou que nenhum navio violou o bloqueio, mas houve divergência: autoridades disseram ao Wall Street Journal que até 20 embarcações transitaram, sem quebrar sanções.

A tensão persiste. Os EUA deslocam caça-minas para a região, enquanto Teerã ameaça responder militarmente a qualquer incursão, alertando que verá belonaves estrangeiras como violações da trégua. Trump, por sua vez, prometeu eliminar ameaças à Marinha americana, mantendo acirrada a disputa pelo controle das rotas no Golfo Pérsico.