Da redação
Líbano e Israel mantiveram, nesta terça-feira, o primeiro contato direto em quase 30 anos, com reunião sediada em Washington e mediada pelos Estados Unidos. O encontro foi recebido com esperança pela comunidade internacional. Jeanine Hennis-Plasschaert, coordenadora especial da ONU para o Líbano, classificou a reunião como “um passo vital em direção ao fim dos bombardeios”. Segundo ela, o momento pode romper o ciclo de violência e abrir caminho para maior estabilidade regional.
Logo após o início das negociações, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que a situação representa uma janela de oportunidade para a paz. Guterres afirmou ser hora de Líbano e Israel cooperarem para aliviar o sofrimento do povo libanês, afetado tanto pelo Hezbollah quanto pelas ações israelenses.
No entanto, no terreno, a Força Interina da ONU no Líbano (Unifil) enfrenta entraves. Um comboio da Unifil, levando suprimentos para a sede em Naqoura, foi interceptado por forças israelenses apesar de coordenação prévia, obrigando trabalhadores locais a retornarem a Beirute. A missão da ONU afirma que restrições assim dificultam a entrega de alimentos, água e combustível, essenciais para a sobrevivência e o monitoramento da Linha Azul, fronteira entre Israel e Líbano.
A crise já deslocou mais de 1 milhão de pessoas, sendo 35% crianças. Mais de 140 mil civis permanecem em abrigos coletivos sob pressão de infraestrutura colapsada. Novas ordens de evacuação no sul do país e a expansão da zona militar aumentam o risco de novos deslocamentos em massa.
Em meio a esses desafios, o Programa Mundial de Alimentos alerta para um “apagão iminente” nas comunicações, devido à falta de combustível e danos às redes. A ONU pede aprovação urgente para uso de comunicação via satélite e anunciou a liberação de US$ 12 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências (Cerf) para apoiar serviços essenciais no Irã.






