Da redação
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, lançou uma guerra contra o Irã prometendo que o conflito seria um divisor de águas para Israel. “Esta guerra levará à paz”, afirmou Netanyahu, que se prepara para buscar um histórico sétimo mandato nas eleições previstas para este ano. No entanto, após cinco semanas de combates, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo, com o regime iraniano ainda no poder, disparando mísseis e defendendo seu direito de enriquecer urânio.
Apesar do amplo apoio inicial à campanha militar — pesquisas indicaram mais de 80% de apoio — o cessar-fogo trouxe frustração: 63% dos israelenses declararam-se insatisfeitos com os resultados da guerra, e menos da metade aprovou o desempenho de Netanyahu. O líder da oposição, Yair Lapid, criticou: “Três anos após o 7 de outubro, o Hamas governa Gaza, o Hezbollah governa o Líbano, e o Irã segue sob comando de um Khamenei”.
Aliados e adversários esperam que a ofensiva contra o Irã marque as próximas eleições, mas analistas como Aviv Bushinsky afirmam que as expectativas do público não foram alcançadas. Em pesquisa do Instituto de Estudos de Segurança Nacional, 69% acreditavam, no início da guerra, que o regime iraniano seria significativamente enfraquecido; hoje, esse número caiu para 43,5%.
Além das críticas internas, a percepção de que Trump pressionou Israel a aceitar o cessar-fogo também prejudicou Netanyahu. “Os israelenses gostam de ver Israel forte e autônomo, e não que Trump dê as cartas”, disse a analista Dahlia Scheindlin.
Netanyahu insiste que a campanha militar não terminou e promete atingir novos objetivos, mas as pesquisas indicam que sua coalizão segue atrás da oposição. “Se a guerra terminar com o cessar-fogo atual, ela poderá pavimentar o caminho para uma mudança política em Israel”, avalia Bushinsky.






