Por Alex Blau Blau
Sessão segue com depoimentos dos acusados e pode avançar para fase de debates entre acusação e defesa
O julgamento dos cinco acusados de participação na maior chacina registrada no Distrito Federal chega ao quarto dia nesta quinta-feira (16), com a continuidade dos interrogatórios no tribunal.
A sessão está prevista para recomeçar às 9h, com o depoimento de dois réus: Carlomam dos Santos Nogueira e Carlos Henrique Alves da Silva. A etapa de interrogatórios pode se estender por várias horas, dependendo do volume de perguntas feitas por defesa, acusação, juiz e jurados.
Após essa fase, o processo deve avançar para os debates entre as partes, quando acusação e defesa apresentam suas versões finais aos jurados, com possibilidade de réplica e tréplica. Essa etapa, no entanto, deve ocorrer apenas na sexta-feira (17), conforme o andamento da audiência.
Na quarta-feira (15), três dos cinco réus foram ouvidos. Os depoimentos tiveram desfechos distintos. Um dos acusados afirmou ter sido coagido a participar das ações e disse que também teria sido vítima do grupo. Outro optou por permanecer em silêncio, amparado pelo direito de não produzir provas contra si mesmo. Já o terceiro confessou participação nos crimes, detalhou a atuação dos demais réus e declarou que teria sido motivado por dificuldades financeiras, chegando a pedir perdão às famílias das vítimas durante o interrogatório.
O caso envolve o assassinato de dez pessoas da mesma família, incluindo três crianças, entre o fim de 2022 e janeiro de 2023. De acordo com a acusação, os envolvidos teriam atuado de forma organizada, com divisão de funções, ao longo de diferentes etapas que incluíram sequestros, extorsões e mortes em série.
A investigação aponta que o grupo teria rendido as primeiras vítimas em uma chácara e iniciado uma sequência de crimes que se estendeu por semanas. As vítimas foram mantidas sob controle em cativeiro enquanto outros familiares também eram atraídos e capturados. Em diferentes momentos, os assassinatos ocorreram em rodovias e em uma área rural, com ocultação e destruição de corpos para dificultar a investigação.
O processo judicial reúne acusações que incluem homicídio qualificado, sequestro, roubo, extorsão, fraude processual, corrupção de menores e ocultação de cadáver, entre outros crimes. As penas podem ultrapassar várias décadas de prisão, dependendo da condenação final.
O caso é considerado um dos mais violentos já julgados na região, tanto pela quantidade de vítimas quanto pela complexidade das ações atribuídas ao grupo acusado.






