Da redação
Dez anos após o impeachment de Dilma Rousseff, poucos aliados do presidente Lula que apoiaram a cassação em 2016 admitem arrependimento. Dos 19 líderes políticos favoráveis ao afastamento procurados pela reportagem, incluindo 16 ex-congressistas, apenas dois reconheceram erro, enquanto a maioria evitou comentar o assunto. O episódio é tratado com pragmatismo pelo PT, que articula alianças para as eleições de 2026, mesmo com nomes que votaram contra Dilma.
Entre os que integraram o primeiro escalão do governo Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou o impeachment como baseado em uma “justificativa frágil”, mas sem esclarecer seu voto favorável na época. Marina Silva (Rede-SP), deputada federal e ex-ministra, manteve sua posição a favor do impeachment por “convicção”, afirmando que houve crime de responsabilidade. Simone Tebet (PSB), ex-ministra, justificou seu voto ao impeachment por “consequências nefastas”.
Alguns políticos, como Marta Suplicy (PT), hoje candidata a vice-prefeita de São Paulo, e Cristovam Buarque, admitiram arrependimento parcial ou lamentaram as consequências, sem, porém, afirmar que votariam diferente. Eliziane Gama (PT-MA), senadora, reconheceu erro no voto pró-impeachment. Floriano Pesaro (PSB-SP) também admitiu que sua decisão foi um “erro histórico”. Outros, como Acir Gurgacz (PDT-RO) e Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO), afirmaram não se arrepender, justificando o voto como resposta à crise política da época.
Apesar das divergências e mágoas, lideranças do PT veem a recomposição de alianças como necessária, concentrando-se em evitar o avanço do bolsonarismo. Segundo o ministro José Eduardo Cardozo, a união entre nomes de esquerda e centro, como na chapa Lula-Alckmin, é “inevitável para evitar a barbárie”.
Líderes como Renan Calheiros (MDB-AL), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Rodrigo Pacheco (PSB-MG) não quiseram comentar os votos. No entanto, Pacheco reconheceu os impactos negativos do impeachment, ainda que tenha seguido a orientação partidária e da OAB no processo.






