Da redação
O jornalista Ivan Seixas relembra, 55 anos depois, sua prisão e tortura aos 16 anos junto ao pai, Joaquim, em 16 de abril de 1971. Na ocasião, os dois foram algemados juntos e espancados de forma brutal por agentes da repressão, que chegaram a romper as algemas. Ambos foram levados para a sala de tortura: enquanto Ivan era colocado no “pau de arara”, Joaquim foi submetido à “cadeira do dragão”, um assento elétrico usado em sessões de tortura. Ivan soube que o pai seria morto antes mesmo de presenciar a violência que se seguiria.
Durante a primeira madrugada de prisão, Ivan foi levado pelos militares ao atual Parque do Estado, onde simulou-se um fuzilamento. De volta ao carro, leu em uma banca a manchete da Folha da Tarde anunciando a morte do pai em “confronto”. Ao retornar ao DOI-Codi, descobriu que Joaquim ainda estava vivo, mas ouviu, por uma divisória, os últimos momentos do pai, marcado por violência extrema.
A mãe, Fanny, e as irmãs, Ieda e Iara, também foram presas e levadas à sede do órgão. Elas presenciaram as agressões e o assassinato de Joaquim. Segundo Ivan, as mulheres não sofreram tortura sistemática, mas foram espancadas, ameaçadas de morte e uma das irmãs sofreu violência sexual.
Ivan ficou preso quase seis anos, passando por várias instituições, enquanto a família permaneceu encarcerada por um ano e meio. Só foi libertado aos 22 anos por pressão externa, sem jamais ter sido condenado formalmente. Após a soltura, foi ameaçado pelos militares, que diziam que seria morto e, por isso, ele deliberadamente tornou públicas suas ações para dificultar qualquer atentado.
Ativista, Ivan coordenou a CPI de 1990 sobre crimes da ditadura, presidiu o Condepe e propôs o tombamento do DOI-Codi em 2014. Ele critica o “pacto de silêncio” sobre crimes da ditadura e aponta que o apagamento dessa história facilitou a volta de discursos autoritários, como o de Jair Bolsonaro.






