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Levantamento do Travessia aponta: Flávio Bolsonaro desponta como candidato promissor, mas ainda carece de consolidação


Da redação

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, é visto como o principal nome da oposição a Lula (PT), mas ainda enfrenta desafios para consolidar sua imagem entre os eleitores. Segundo relatório do Instituto Travessia, encomendado pelo Estadão, pesquisas qualitativas feitas em dez estados e no Distrito Federal entre setembro de 2025 e março de 2026 revelam que, apesar do peso do sobrenome, muitos eleitores não têm clareza sobre quem é Flávio — e alguns chegam a confundi-lo com outros membros da família Bolsonaro.

O estudo aponta que Flávio carece de uma base fiel própria e não gera engajamento emocional. “Sua força nas pesquisas deriva do antipetismo, da transferência simbólica do bolsonarismo e da ausência de concorrência forte no campo da direita”, diz Renato Dorgan, CEO do Travessia. Entre suas fragilidades estão o baixo reconhecimento real, ausência de identidade própria, dependência da polarização e dificuldade para expandir seu eleitorado além do núcleo ideológico.

O grupo que mais apoia Flávio é formado por homens acima de 40 anos, ideologicamente posicionados e contrários a Lula e ao PT. Entre mulheres, jovens e eleitores de classe média, o apoio é menor. Críticas envolvendo o caso das “rachadinhas” e associações com milicianos também aparecem entre os eleitores mais informados, assim como a percepção de que, durante o governo do pai, Flávio era blindado.

Outro desafio é o voto evangélico, onde Flávio tem dificuldade para se destacar em relação ao próprio pai e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O relatório mostra que o apoio desse segmento não deve ocorrer de forma espontânea.

Flávio lidera entre as alternativas à direita, diante do alto desconhecimento dos pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). No entanto, há demanda por um nome de direita fora do bolsonarismo. Segundo Dorgan, “o crescimento de Flávio depende menos de suas próprias qualidades e mais de fatores externos, como a rejeição a Lula e o surgimento ou não de um concorrente forte à direita”.