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Caiado e Daniel buscam apoio da direita bolsonarista no agro

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Da redação do Conectado ao Poder

Movimento mira o eleitorado do agronegócio, onde a direita radical tem influência, enquanto a disputa pelo governo de Goiás se intensifica

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o vice-governador Daniel Vilela (MDB) intensificaram, em abril de 2026, a aproximação com lideranças do agro para buscar apoio de segmentos da direita bolsonarista no setor, em meio às articulações eleitorais em Goiás e no cenário nacional. A estratégia mira um eleitorado com forte presença na agropecuária e com histórico de simpatia por pautas associadas ao bolsonarismo, por meio de agendas públicas e diálogo com dirigentes influentes.

A movimentação ocorre enquanto diferentes grupos políticos disputam espaço junto ao agronegócio goiano, considerado decisivo pela capilaridade no interior e pelo peso econômico. Interlocutores do meio político apontam que o aumento da concorrência por influência no setor tem levado pré-candidatos e aliados a reforçar presença em feiras, encontros e eventos voltados à produção rural e à cadeia de exportação.

Entre as agendas recentes, Caiado participou do Farm Day 2026, em Cariri do Tocantins, na região de Gurupi (TO), ao lado do presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner (PSD), e da pré-candidata ao Senado Gracinha Caiado (União Brasil). Schreiner é citado no meio político por sua capacidade de interlocução com setores bolsonaristas, após ter atuado como vice-líder do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Câmara dos Deputados.

No entorno do Palácio das Esmeraldas, Schreiner também aparece em especulações sobre a composição majoritária em Goiás. O dirigente é apontado como um dos nomes ventilados para a vaga de vice em uma chapa liderada por Daniel Vilela, hipótese tratada por aliados como um caminho para ampliar a adesão de eleitores ligados ao agro e reduzir resistências dentro de segmentos alinhados à direita bolsonarista.

Nos bastidores da disputa estadual, aliados do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) sinalizam a intenção de buscar um nome do agronegócio para a vaga de vice em sua chapa ao governo. As conversas, segundo relatos, ainda não indicam uma definição, mas há especulações de que o nome possa vir de Rio Verde, município frequentemente associado ao protagonismo do setor no estado.

O tema ganhou força durante a Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde entre 7 e 11 de abril, considerada uma das maiores feiras do agronegócio do país, com participação de expositores nacionais e visitantes internacionais. No evento, Perillo defendeu que o país precisa criar condições para que produtores rurais atuem com previsibilidade e apoio do poder público. “Hoje é tudo muito tecnológico. O Estado precisa viabilizar essas condições. O agro é a galinha dos ovos de ouro do País. É quem garante o sucesso das exportações, do PIB, do emprego e das receitas”, afirmou.

Analistas e atores do setor avaliam que parte do agro se identifica com valores e discursos associados à direita radical, o que tem levado lideranças de centro-direita a priorizar pontes com representantes influentes da cadeia produtiva. No cenário nacional, a disputa por apoio desse público também aparece em movimentos como a tentativa atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de atrair para uma composição de chapa a senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS).

Em Goiás, o cálculo político considera que o eleitorado ligado ao agronegócio pode impactar diretamente o desempenho de candidaturas, tanto pela organização de entidades representativas quanto pela influência regional. A leitura em torno das articulações é de que alianças com lideranças do agro podem contribuir para ampliar palanques, reforçar presença no interior e consolidar apoios em um segmento visto como estratégico na disputa estadual.