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Contratação de navios feita pelo Governo Lula para a COP30 envolve empresa ligada a parceiro de Vorcaro

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Por Alex Blau Blau

Intermediação levanta questionamentos sobre vínculos empresariais

Documentos oficiais apontam que o governo federal utilizou uma intermediária do setor de turismo para viabilizar a contratação de navios de cruzeiro destinados à hospedagem de delegações durante a COP30, realizada em Belém. A empresa escolhida tem como proprietário um empresário associado, em outro empreendimento, ao banqueiro Daniel Vorcaro.

De acordo com registros da Casa Civil, a operação foi conduzida por meio da Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda. A contratação ocorreu via Embratur, que ficou responsável pela intermediação do processo. Posteriormente, a Qualitours firmou acordos com operadoras marítimas como Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros para disponibilizar as embarcações.

O empresário Marcelo Cohen, dono da Qualitours, mantém relação societária com Vorcaro em um hotel de alto padrão localizado em Campos do Jordão. Além disso, sua empresa integra a holding BeFly, criada a partir de investimentos vinculados a fundos relacionados ao Banco Master.

Relatórios financeiros mencionados em apurações anteriores indicam movimentações relevantes entre empresas ligadas a Cohen e o banco associado a Vorcaro, incluindo transações milionárias registradas em 2024.

Em resposta, a Embratur afirmou que a escolha da operadora seguiu critérios legais por meio de chamamento público, destacando que a empresa apresentou toda a documentação necessária para comprovar capacidade técnica e regularidade. A agência também declarou que não houve participação do Banco Master no processo e que a estrutura financeira foi assegurada pelo BTG Pactual.

O órgão ressaltou ainda que o contrato foi analisado pelo Tribunal de Contas da União, que considerou a contratação regular e vantajosa do ponto de vista econômico, em comparação com alternativas como o fretamento direto das embarcações.

Já a BeFly afirmou que mantém operações independentes e que os financiamentos obtidos no passado foram realizados dentro da legalidade. A Qualitours, por sua vez, declarou que atuou conforme as exigências técnicas do projeto e que sua participação ocorreu de forma regular.