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Arquivo Público do DF amplia preservação audiovisual e revela memórias inéditas de Brasília

Por Alex Blau Blau

Projeto apoiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal  (FAPDF) estrutura digitalização, cria repositório aberto e resgata registros históricos que ajudam a contar a formação e o cotidiano da capital

O Arquivo Público do Distrito Federal volta ao centro das atenções com um projeto que transforma imagens esquecidas em memória viva. Com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, a iniciativa tem como objetivo preservar, digitalizar e dar acesso a um vasto acervo filmográfico que documenta diferentes fases da história da capital.

Coordenado pela pesquisadora Lila Foster, doutora em Meios e Processos Audiovisuais, o trabalho reúne centenas de títulos e mais de mil rolos de filmes. Muitos desses registros ainda eram desconhecidos do grande público e agora passam a integrar um esforço de valorização da memória cultural do Distrito Federal.

O acervo inclui produções institucionais e registros amadores que retratam desde a formação de Brasília até cenas cotidianas da população. Imagens de passeios pelas quadras, momentos de lazer e experiências de uma juventude que acompanhava o crescimento da cidade ajudam a construir uma narrativa sensível e histórica sobre a capital.

Parte desse material, como o fundo da Novacap, já possui reconhecimento internacional por meio do programa Memória do Mundo, da UNESCO, reforçando a relevância do conjunto documental preservado pelo Arquivo Público.

Apesar do valor histórico, o projeto também enfrenta desafios técnicos. Grande parte dos filmes ainda está em suporte físico, vulnerável à ação do tempo. Um dos principais problemas identificados é a chamada “síndrome do vinagre”, processo químico que provoca a deterioração do material, causando deformações, encolhimento e até perda total das imagens.

Diante desse cenário, o trabalho liderado por Lila Foster não apenas resgata o passado, mas também garante que essas memórias sobrevivam para as próximas gerações. A digitalização surge como ferramenta essencial para preservar a história e ampliar o acesso público a um patrimônio que ajuda a compreender a identidade e a evolução de Brasília.

Além da digitalização, o projeto envolve uma etapa fundamental de análise e preparação do acervo. Antes de qualquer conversão para o meio digital, os filmes passam por um processo minucioso de revisão manual, que inclui limpeza, pequenos reparos e catalogação. Esse diagnóstico técnico é o que define as prioridades de preservação. Até o momento, cerca de 60% do acervo já foi avaliado, permitindo identificar quais materiais estão em melhores condições para digitalização imediata.

Segundo a coordenadora do projeto, o trabalho não se limita aos filmes mais conhecidos. A proposta é ampliar o acesso e diversificar as narrativas, incorporando também materiais pouco explorados, como filmes amadores, que revelam aspectos íntimos e cotidianos da história da capital.

O projeto também avança na criação de uma estrutura permanente dentro do Arquivo Público do DF. A iniciativa inclui a aquisição de novos equipamentos, a reorganização de espaços e a definição de fluxos técnicos voltados à preservação audiovisual. Outro destaque é o desenvolvimento de um repositório digital aberto, que permitirá organizar e disponibilizar o acervo ao público de forma mais ampla e acessível.

A sustentabilidade é um dos pilares da iniciativa. A intenção é garantir que o trabalho tenha continuidade mesmo após o encerramento do projeto, consolidando uma política institucional de preservação audiovisual.

O apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal tem sido decisivo para viabilizar a estrutura técnica e científica necessária, incluindo equipamentos especializados, serviços técnicos e ações de formação. Oficinas voltadas a servidores e estagiários também fazem parte da proposta, contribuindo para a capacitação de profissionais e para a manutenção das atividades no longo prazo.

Com isso, imagens que permaneceram restritas ao arquivo por décadas começam a ganhar circulação, permitindo que diferentes gerações revisitem e reconheçam aspectos da história do Distrito Federal. Mais do que preservar películas, o projeto amplia o acesso à memória coletiva e fortalece o vínculo da população com o passado da capital.

Ao unir pesquisa, tecnologia e política pública, a iniciativa consolida um novo capítulo na preservação audiovisual brasileira, um esforço que não apenas resgata o que ficou esquecido, mas garante que essas histórias continuem sendo contadas.