Início Política Vídeos de sátira política reacendem debate sobre limites da crítica a instituições

Vídeos de sátira política reacendem debate sobre limites da crítica a instituições


Da redação

A publicação de vídeos com provocações a adversários e instituições intensificou o debate sobre os limites entre sátira política e desmoralização institucional nas eleições. O material divulgado por Romeu Zema (Novo) contra ministros do STF gerou reação de integrantes da corte, culminando com o pedido do ministro Gilmar Mendes para incluí-lo no inquérito das fake news.

A repercussão do episódio ampliou a visibilidade de Zema como pré-candidato à Presidência e motivou o apoio público de figuras como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Ronaldo Caiado (PSD). Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) também provocou o ministro Gilmar Mendes e solicitou sua própria inclusão na investigação. Marcel van Hattem (Novo-RS), aliado de Zema, manifestou apoio à mesma causa.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, já havia protagonizado polêmica ao pedir, em relatório ao fim dos trabalhos da comissão, o indiciamento de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Apesar de rejeitado, o parecer provocou reação dos magistrados, que solicitaram providências. Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito das fake news, aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre as próximas etapas.

O embate entre parte da classe política e o STF ganhou força desde 2018, quando Jair Bolsonaro deu início à campanha contra o que qualificou de “superpoderes” da Corte. Posteriormente, o discurso se intensificou após a derrota eleitoral de Bolsonaro para Lula, culminando na invasão das sedes dos três poderes em 8 de janeiro de 2023.

José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça, avaliou existir “um impasse estrutural” quando ministros do Supremo são alvos de ataques. Em entrevista, afirmou: “Se eu, advogado, sou atingido, recorro à Justiça. Mas quando o juiz é acusado, ele não pode agir como qualquer cidadão”. Para Cardozo, trata-se de uma situação sistêmica.

Segundo registros de março, Romeu Zema já havia divulgado ao menos 14 vídeos criticando ministros do Supremo. Em um dos vídeos, um fantoche que simboliza Lula questiona Alexandre de Moraes sobre um contrato de advocacia da esposa do ministro. O tema das sátiras nas redes sociais também envolveu outros candidatos, com Bia Lula divulgando vídeo que ironiza Flávio Bolsonaro, episódio que levou à abertura de inquérito pelo STF.