Início Distrito Federal Casos de racismo no Distrito Federal dobram entre 2017 e 2025, diz...

Casos de racismo no Distrito Federal dobram entre 2017 e 2025, diz PCDF


Da redação

Casos de injúria racial no Distrito Federal dobraram nos últimos nove anos, segundo levantamento da Polícia Civil divulgado nesta quarta-feira (24). O aumento acompanha episódios recentes, como a prisão de uma moradora do DF por ofensas a um policial negro, em Salvador, no dia 21 de abril, e agressões contra um advogado negro em março.

De acordo com a Polícia Civil, foram registrados 431 casos de injúria racial em 2017, número que subiu para 870 em 2025, um aumento de 101,8%. O salto mais significativo ocorreu entre 2020 e 2021, passando de 432 para 596 ocorrências, e os índices seguem crescendo nos anos seguintes.

O delegado Marco Farah, da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), afirma que o crescimento dos registros não indica, necessariamente, aumento do preconceito. “O aumento dos números não significa necessariamente que a sociedade se tornou mais racista ou intolerante em 10 anos, mas que o letramento jurídico e a coragem de denunciar aumentaram”, disse.

Segundo Farah, a Lei nº 14.532/2023, sancionada em janeiro de 2023 e que equiparou a injúria racial ao crime de racismo, pode ter incentivado mais denúncias. “Esse aumento vertiginoso entre 2022 e 2023 reflete a alteração legislativa que equiparou a injúria racial ao crime de racismo, aumentando a pena-base”, avaliou o delegado.

O levantamento da Polícia Civil aponta também crescimento em outras modalidades de discriminação, como casos religiosos, que subiram de 16 em 2017 para 73 em 2024, e de injúria contra idosos ou pessoas com deficiência, indo de 155 registros em 2017 para 212 em 2025.

No caso da mulher de 74 anos presa em Salvador, ela foi autuada por racismo e injúria após afirmar a um policial negro: “Em Brasília só tem branco e não tem ninguém armado desse jeito”. O advogado Johnny dos Santos Batista, agredido por três homens em um bar no DF, também denunciou agressões físicas, racismo e homofobia; os casos seguem sob investigação policial.