Início Eleições Divisões no bolsonarismo e avanço de Zema enfraquecem candidatura de Flávio

Divisões no bolsonarismo e avanço de Zema enfraquecem candidatura de Flávio


Da redação

Nikolas Ferreira rompeu publicamente com o núcleo ideológico do bolsonarismo na última semana, hostilizando Jair Renan Bolsonaro e gerando atritos com Eduardo Bolsonaro, Allan dos Santos, Kim Paim e Paulo Figueiredo. O episódio ocorreu em meio a disputas internas e reflete uma tensão presente há mais de um ano no campo bolsonarista.

A ascensão de Nikolas, desde o início de 2025, trouxe atritos devido à sua base própria e à movimentação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, que enfraqueceu o vínculo entre setores ideológicos e políticos da direita ligada a Jair Bolsonaro. Conflitos, como a disputa entre Carlos Bolsonaro e Carol De Toni pelo Senado em Santa Catarina, mostraram aliados próximos a Michelle e Nikolas atuando fora do controle da família.

O monitoramento de mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp, realizado pela Palver, indica que a divisão interna circula com força na direita. Flávio Bolsonaro aparece com 50% de aprovação e 50% de rejeição nas mensagens, sinalizando que ataques diretos a ele são tratados como traição por parte da base, o que inibe críticas por grandes atores do segmento.

Nikolas Ferreira, por outro lado, enfrenta 68% de rejeição nas mensagens, sendo a maioria dos ataques provenientes de bolsonaristas, não da oposição. De acordo com mensagens, o silêncio de Nikolas sobre Flávio Bolsonaro é intencional, indicando tentativa de construir capital político de forma independente. Algumas mensagens afirmam: “Nikolas está impulsionando todos que odeiam o Flávio”.

Simultaneamente, Romeu Zema surge como alternativa à família Bolsonaro. Ele possui 53% de aprovação, o melhor saldo entre os nomes conservadores, e seu volume de menções nas redes se aproxima do de Flávio. A postura combativa de Zema em relação ao STF, segundo mensagens, é vista com aprovação por apoiadores, diferenciando-o de Flávio.

A poucos meses das eleições, uma ruptura mais clara do grupo dissidente com a família Bolsonaro pode aprofundar divisões internas e favorecer Lula, que mantém coesão de campo e atrai quadros competitivos. Flávio, diante de tal cenário, enfrenta dificuldades para mobilizar militância e fortalecer sua candidatura.