Da redação
O Conselho de Segurança das Nações Unidas debateu nesta segunda-feira, em Nova Iorque, a intensificação da instabilidade no Estreito de Ormuz. O encontro, que reuniu representantes de 80 países, abordou a importância da livre circulação de navios nesta rota vital para o comércio global, diante de recentes bloqueios na região.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo pelo desbloqueio do estreito, defendendo “diálogo diplomático, respeito estrito ao direito internacional” e retomada imediata do comércio. Ele ressaltou a necessidade de moderação e de medidas que ampliem a confiança, reforçando que impedir navios de passar compromete a economia mundial e pode gerar desastres ambientais.
Especialistas alertaram que bloqueios em rotas estratégicas como Ormuz têm efeito direto nas cadeias logísticas internacionais. O comércio marítimo responde por 80% do volume global de mercadorias e interrupções nesse fluxo, segundo foi destacado, impactam bilhões de pessoas ao redor do planeta, com potencial de afetar a segurança alimentar e o bem-estar de diversos países.
O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, presidiu a sessão durante a presidência rotativa do órgão. Arsénio Dominguez, secretário-geral da Organização Marítima Internacional, anunciou novo protocolo de evacuação estratégica, com uso de corredores protegidos para saída de navios, desenvolvido com participação regional, inclusive do Irã, porém condicionado à garantia mínima de segurança local.
Cerca de 20 mil marítimos seguem retidos em aproximadamente 2 mil embarcações no Golfo Pérsico, convivendo com pressões psicológicas e riscos físicos devido ao conflito geopolítico. O bloqueio prejudica tanto o fluxo financeiro quanto o abastecimento de alimentos em vários países, segundo a agência marítima, e dificulta operações humanitárias em terra.
A situação humanitária se agrava na região. O Programa Mundial de Alimentos ampliou apoio alimentar no Irã diante do aumento de refugiados. No Líbano, insegurança impede o retorno de famílias deslocadas e sobrecarrega abrigos. Em Gaza, a população enfrenta crise sanitária, riscos de doenças e sobrevive com uma refeição diária.






