Da redação
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira, 29, levando a Selic para 14,5% ao ano. O corte ocorre em meio a um cenário externo instável e pressões inflacionárias que exigem cautela da autoridade monetária.
Apesar da expectativa de corte, o ambiente permanece incerto quanto às próximas decisões do colegiado do Banco Central. A continuidade do ciclo de redução dos juros dependerá do comportamento da inflação e de fatores internacionais, principalmente os reflexos da guerra no Oriente Médio sobre preços globais.
O conflito no Oriente Médio impacta diretamente nos custos do petróleo, dos combustíveis e dos fertilizantes, segundo especialistas. Esse aumento nos preços contribuiu para desancorar as expectativas de inflação e pressionou os últimos resultados do IPCA, indicador oficial de inflação do país.
De acordo com Caio Megale, economista-chefe da XP, o comunicado do Copom nesta semana deve ser mais rigoroso em relação ao anterior e destacar a necessidade de uma política monetária cautelosa. “O objetivo é mitigar efeitos de médio prazo decorrentes dos choques inflacionários”, afirmou Megale.
Para Megale, não há sinalização imediata de interrupção do ciclo de cortes. Ele projeta uma Selic de 13,50% ao final de 2026 e prevê duas reduções adicionais de 0,50 ponto percentual em junho e agosto, caso haja melhora no cenário internacional, especialmente com a estabilização dos preços do petróleo.
Mesmo assim, Megale alertou que, diante das incertezas e riscos inflacionários, cresce a probabilidade de o Copom optar por um ritmo mais moderado de cortes, mantendo reduções de 0,25 ponto percentual ou até interrompendo o ciclo de ajustes antes do previsto, caso o contexto externo permaneça adverso.






