Da redação
Wilker Leão, influenciador digital, foi condenado pela Justiça do Distrito Federal a 1 ano, 11 meses e 10 dias de detenção e ao pagamento de 58 dias-multa. A decisão, divulgada nesta semana em Brasília, penaliza Leão pelos crimes de difamação e injúria contra um professor da Universidade de Brasília.
A sentença, expedida pelo desembargador José Cruz Macedo, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, analisou episódios nos quais Leão teria ultrapassado o limite do direito à crítica. Segundo o magistrado, as manifestações reiteradas configuraram “qualificações depreciativas” ao docente.
Entre as expressões utilizadas pelo influenciador para se referir ao professor estão termos como “professor brabão”, “transgeneral” e “valentão que se acha general”, conforme consta nos autos. O tribunal também destacou declarações em que Leão teria colocado em dúvida a credibilidade do docente ao afirmar que ele estaria “fugido”.
Em outro momento mencionado na decisão, Leão foi acusado de sugerir que o professor desenvolve atividade profissional de maneira supostamente enviesada ideologicamente. Para o relator do caso, essas condutas afetaram a reputação do docente e extrapolaram o exercício de crítica legítima.
A defesa de Wilker Leão sustentou ausência de intenção de difamar o professor, argumento rebatido pelo magistrado. De acordo com José Cruz Macedo, houve “reiteração, edição de conteúdo, escolha de títulos provocativos e divulgação em canal digital próprio”, além de alto engajamento, o que comprovaria “propósito consciente de exposição e desqualificação”.
O influenciador ainda pode recorrer da decisão. Em nota, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal reforçou que casos de difamação e injúria praticados em meios digitais estão sujeitos às mesmas sanções aplicadas em outras formas de comunicação previstas na legislação brasileira.





