Da redação
O Comitê de Política Monetária anunciou a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, de 14,75% para 14,50% ao ano, nesta quarta-feira. A medida foi considerada insuficiente por entidades da indústria, do comércio e por centrais sindicais, que apontaram efeitos negativos sobre investimentos, consumo e renda.
Segundo avaliação da Confederação Nacional da Indústria, o corte foi “tímido” e mantém o custo do crédito em patamar elevado, comprometendo investimentos e competitividade do setor produtivo. O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que “o custo do capital continuará em um nível proibitivo, inviabilizando projetos e investimentos que poderiam ampliar a competitividade industrial”.
A CNI também destacou preocupação com a deterioração financeira de empresas e famílias, ressaltando que “o endividamento das empresas e das famílias bate recorde mês a mês, fragilizando a saúde financeira de toda a economia”. A Associação Paulista de Supermercados compartilha da opinião, defendendo uma redução mais significativa da Selic.
Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, declarou que “o Banco Central, desde a última reunião, já poderia ter ampliado o afrouxamento monetário”. Ele afirmou que o atual patamar penaliza a atividade econômica, citando aumento do endividamento familiar e o número de empresas entrando em recuperação judicial. Para a entidade, os juros estimulam o capital especulativo em detrimento do setor produtivo.
Entre os trabalhadores, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT criticou o ritmo de queda da Selic e apontou impacto direto sobre a renda. Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, avaliou que “a redução de 0,25% é muito pouco”. A Força Sindical também classificou a decisão como insuficiente e destacou possíveis impactos negativos na geração de empregos e renda.
As entidades dos setores industrial, comercial e sindical convergem na avaliação de que há espaço para cortes mais acelerados na taxa básica de juros. Para elas, o atual nível da Selic restringe o crescimento econômico, dificulta o acesso ao crédito e prejudica o consumo das famílias.






