Início Ciência e tecnologia Dispositivo brasileiro monitora sono e bem-estar de astronautas em missão da Nasa

Dispositivo brasileiro monitora sono e bem-estar de astronautas em missão da Nasa


Da redação

O engenheiro brasileiro Rodrigo Trevisan Okamoto, da startup Condor Instruments, obteve confirmação da Nasa em 1º de abril de que o dispositivo desenvolvido por sua equipe seria levado pela missão Artemis II, primeiro voo tripulado ao redor da Lua em meio século. A inovação busca monitorar padrões de sono na tripulação durante a jornada espacial.

Okamoto relatou que o comunicado da Nasa foi inesperado, confirmando o uso do actígrafo — um aparelho no formato de relógio de pulso — já em testes pelos astronautas nos dois anos anteriores ao lançamento. Desenvolvido em parceria com pesquisadores da USP e financiado inicialmente pela Fapesp, o dispositivo monitora movimento, luz e temperatura corporal, fornecendo dados sobre o relógio biológico humano.

A missão Artemis II ocorre em um ambiente onde fatores como ciclos irregulares de luz e ausência de gravidade afetam o sono dos astronautas, segundo o professor Mario Pedrazzoli Neto, especialista em cronobiologia da USP. Ele destaca que, sem a alternância natural de claro e escuro, há maior risco de desregulações no ciclo sono-vigília, o que pode comprometer o desempenho dos tripulantes.

Para mitigar esses efeitos, a Estação Espacial Internacional já adota simulações de ciclos terrestres de luz. A Nasa conduz diversos estudos para compreender como variáveis ambientais e comportamentais, como luminosidade e consumo de cafeína, impactam o sono e a saúde dos astronautas a curto e longo prazo, informa Pedrazzoli.

O actígrafo brasileiro apresenta diferenciais tecnológicos, como a capacidade de registrar temperatura corporal e composições espectrais específicas de luz. Utilizado em eventos históricos da missão Artemis II, os dados coletados serão comparados a outros testes realizados pela tripulação, visando aprimorar futuras espaçonaves. “O que aprendermos nos ajudará a entender como os astronautas podem sobreviver e prosperar mais distantes da Terra”, diz a Nasa.

O desenvolvimento do actígrafo teve início em pesquisas do Centro de Estudos do Sono, ligado à Unifesp, para avaliar o horário de verão. Com apoio do Pipe-Fapesp e participação de Okamoto e Luis Filipe Rossi, a Condor Instruments ampliou a produção do dispositivo, que hoje é exportado para mais de 40 países, com aplicação em várias áreas da saúde e pesquisa biomédica.