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Senado rejeita Messias no STF, Congresso derruba veto da dosimetria e Câmara cria comissão 6×1


Da redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou duas derrotas no Congresso nesta semana. Na quarta-feira, 29, senadores rejeitaram a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. No dia seguinte, foi derrubado o veto ao Projeto de Lei da Dosimetria, marcando nova fase na relação entre governo e Parlamento.

Essas decisões evidenciaram o fortalecimento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e apontaram dificuldades do governo na articulação política. Messias, advogado-geral da União, teve seu nome rejeitado por uma união entre oposição, liderada por Flávio Bolsonaro, e o Centrão, bloco com influência de Alcolumbre.

Parlamentares alegam insatisfação de Alcolumbre pela preferência de Lula em não indicar Rodrigo Pacheco ao STF e interesse do campo oposicionista em criar obstáculos ao governo em ano eleitoral. Nos bastidores, a rejeição a Messias também refletiu disputas relacionadas à investigação do banco Master, que envolve membros do Congresso e dirigentes do Centrão.

Jorge Messias era visto como favorável ao avanço das investigações, semelhante à atuação do ministro André Mendonça, responsável por relatar o caso no STF. Ambos são evangélicos. Já o ministro Alexandre de Moraes, que também foi citado em apurações da Polícia Federal ligadas ao banco Master, participou de articulações contra a indicação de Messias.

A disputa se estende ao Judiciário, com desdobramentos das investigações sobre negócios do banqueiro Daniel Vorcaro e ações governistas após a derrubada do veto. O Centrão e a oposição prometem explorar a fragilidade política do Planalto nas campanhas eleitorais, enquanto Lula reforçará o discurso de enfrentamento ao Congresso.

No mesmo período, a Câmara instalou comissão especial para analisar a PEC que extingue a escala de trabalho 6×1. A proposta, defendida pelo presidente Hugo Motta, é prioridade para Lula no último ano do atual mandato. No entanto, há expectativa de que o texto enfrente resistência no Senado, principalmente quanto a compensações ao empresariado.