Da redação
As eleições brasileiras de 2026 já apresentam impactos significativos com a integração intensa da Inteligência Artificial (IA) nas campanhas políticas. O uso de tecnologias generativas está mudando estratégias de comunicação em todo o país, enquanto tribunais eleitorais buscam definir limites éticos e legais para essas práticas inovadoras.
Marqueteiros de diferentes posicionamentos ideológicos estão utilizando a IA para agilizar testes de discursos e peças publicitárias, tornando processos antes demorados em tarefas resolvidas em poucas horas. Esse fenômeno, definido por profissionais como um “terremoto tecnológico”, afeta desde a análise detalhada de dados até a compreensão do comportamento do eleitor.
Uma das inovações centrais é a criação dos chamados “eleitores sintéticos”. Ferramentas como as da SVA Solutions–Galaxies permitem que campanhas substituam pesquisas qualitativas presenciais por modelos treinados em dados reais. Esses perfis simulam reações de grupos como “centristas desiludidos”, possibilitando experimentos de mensagens em tempo real e com redução significativa de custos.
A IA também trouxe avanços na personalização do discurso. Estruturas robustas de campanhas realizam “nanosegmentação”, produzindo versões específicas de mensagens para subgrupos do eleitorado. O histórico digital dos candidatos é utilizado para ajustar o tom de cada comunicação, e locutores e imagens tradicionais vêm sendo trocados por recursos sintéticos, diminuindo o tempo de produção de materiais.
Apesar do entusiasmo tecnológico, permanece um cenário de insegurança jurídica. A normativa do TSE de 2024 proíbe o uso de deepfakes, mas há divergências sobre conteúdos sintéticos positivos. Enquanto alguns juristas defendem que o aviso explícito ao eleitor é suficiente, outros alertam para riscos à paridade do pleito. O tribunal busca métodos para rastrear conteúdos artificiais que circulam de contas não oficiais.
A experiência das eleições argentinas de 2023, marcadas por vídeos falsos que se espalharam nos dias finais, serve de alerta ao Brasil. No país, manipulações via IA são proibidas nas 72 horas antes da votação e todo conteúdo alterado precisa ser rotulado. O desafio dos tribunais é conter a disseminação acelerada de desinformação originada por ferramentas automatizadas.







