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Deputado baiano entra no centro de investigação e acordo prevê devolução milionária aos cofres públicos

Por Alex Blau Blau

Decisão judicial coloca parlamentar sob forte pressão política e reacende debate sobre uso de recursos públicos

O deputado federal João Carlos Bacelar, filiado ao Partido Liberal da Bahia, passou a ocupar o foco do cenário político nacional após a formalização de um acordo judicial que prevê a devolução de R$ 1,4 milhão aos cofres públicos. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em meio a investigações relacionadas à manutenção de funcionárias consideradas irregulares em seu gabinete.

Natural de Salvador e com 53 anos, o parlamentar recebe remuneração bruta mensal superior a R$ 46 mil. Além da atuação política, mantém vínculos com setores empresariais ligados à construção civil, ao agronegócio e ao mercado de combustíveis e lubrificantes, áreas em que também desenvolve atividades fora da vida pública.

A trajetória política de Bacelar teve início em 2006, quando foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados. Desde então, conseguiu se manter no cargo ao longo de sucessivas eleições, acumulando cinco vitórias consecutivas. Durante esse período, também teve passagem pelo Partido da República, ampliando sua articulação dentro do Congresso Nacional.

Atualmente, o gabinete do deputado conta com 29 servidores. Ele também possui passaporte diplomático e utiliza imóvel funcional desde 2017, benefícios comuns a integrantes do Legislativo federal.

Bacelar é herdeiro de uma tradição política familiar. Seu pai, João Carlos Bacelar, conhecido como Jonga Bacelar, teve atuação destacada na política baiana até seu falecimento em 2009. O deputado também possui formação técnica, com especialização em infraestrutura e engenharia civil obtida na Universidade Federal da Bahia.

Na Câmara, integra diferentes frentes parlamentares, incluindo as bancadas da segurança pública, ruralista e evangélica. Também participa de comissões estratégicas, como as que tratam de transição energética, produção de hidrogênio verde, mineração e energia, além de temas ligados ao sistema portuário brasileiro. Ainda atua como suplente em colegiados voltados à fiscalização financeira e ao desenvolvimento urbano.

O caso reacende discussões sobre transparência e controle de gastos no serviço público, especialmente no âmbito do Legislativo, e deve continuar repercutindo nos próximos desdobramentos políticos e jurídicos.