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Brasil registra recorde de 399 feminicídios no primeiro trimestre de 2026


Da redação

O Brasil registrou aumento de 7,5% nos casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, com 399 vítimas entre janeiro e março deste ano. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, é o maior número para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, há 11 anos.

O crescimento equivale a quatro mulheres mortas por dia em situações de violência doméstica, familiar ou em contexto de discriminação. São Paulo liderou em números absolutos, registrando 86 feminicídios — recorde no estado. O aumento nas cidades paulistas foi de 41% ante o mesmo trimestre do ano anterior.

Entre os casos, destaca-se o da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta em seu apartamento em 18 de fevereiro, em São Paulo. Seu marido, coronel Geraldo Leite Rosa Neto, foi preso e responde a processo. Ele nega o crime e diz que a esposa se suicidou, tese contestada por laudos periciais e investigações.

Especialistas e membros dos governos apontam que parte do aumento pode estar associada à melhora na qualificação das notificações. Mortes antes registradas como homicídios passaram a ser classificadas como feminicídio. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 59,4% das vítimas foram mortas por parceiro íntimo e 21,3% por ex-parceiro.

A Lei do Feminicídio, em vigor desde 2015, passou a tipificar esse crime, e em 2024 houve nova mudança: o feminicídio se tornou crime autônomo com penas de 20 a 40 anos, podendo chegar a 60 anos em casos agravados. A alteração ocorreu dentro do pacote antifeminicídio, que elevou punições e alterou legislações correlatas.

O governo lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio em 2026, com novas tecnologias como projeto piloto que conecta tornozeleiras eletrônicas de agressores ao relógio das vítimas. Dados oficiais mostram que, em 2025, 30% das mulheres mortas já tinham denunciado seus agressores; em casos analisados, algumas foram vítimas mesmo após múltiplos registros de ocorrência.