Por Alex Blau Blau
Profissional relata ter sido levado à força para clínica, onde permaneceu isolado e sob medicação sem consentimento, enquanto familiares alegavam dependência química
Um médico de 27 anos afirma ter sido internado contra a própria vontade em uma clínica de reabilitação em Teresina, no Piauí, onde permaneceu por aproximadamente 40 dias sem acesso a meio de comunicação ou contato externo. Segundo o relato do profissional e de sua defesa, a internação teria ocorrido dias após ele revelar sua orientação sexual à família.
De acordo com a advogada responsável pelo caso, o médico foi surpreendido dentro da residência dos pais por homens ligados à clínica. Ele relata que foi imobilizado após abrir a porta do quarto, acreditando que atenderia a um chamado familiar. Ainda segundo a defesa, houve resistência física por parte do médico, que solicitava assistência jurídica e negava qualquer uso de substâncias ilícitas.
Após o episódio, ele teria sido encaminhado em uma ambulância diretamente para a unidade de internação. Durante os primeiros dias no local, o médico afirma não ter passado por avaliação clínica adequada. Um laudo psiquiátrico posterior o classificou como dependente químico, embora, segundo a advogada, não tenha sido realizado exame toxicológico que comprovasse a condição.
O profissional também relata que foi submetido a medicação diária sem consentimento e sem informações claras sobre os medicamentos administrados. Ele descreve que o período de isolamento e a falta de autonomia impactaram significativamente seu estado emocional.
A defesa sustenta que a motivação da internação estaria ligada à reação dos pais à orientação sexual do filho. Já a família teria justificado a medida alegando preocupação com um suposto quadro de dependência química.
O caso ganhou novos desdobramentos quando o médico conseguiu contato com pessoas próximas, que acionaram assistência jurídica. Houve tentativa inicial de intervenção judicial, mas o pedido não foi analisado no plantão. Posteriormente, com apoio policial, a advogada se dirigiu à clínica para obter acesso ao paciente e verificar a documentação que autorizava a internação.
Segundo o relato, houve resistência por parte da instituição e dos familiares. A situação resultou na condução dos envolvidos a uma delegacia, onde o caso passou por análise. A interpretação inicial considerou a possibilidade de enquadramento na legislação que permite internações involuntárias mediante autorização familiar e avaliação médica, entendimento contestado pela defesa.
Após a repercussão do caso, a família solicitou a interrupção da internação, e o médico deixou a clínica com seus pertences.
Órgãos responsáveis foram acionados para apurar a legalidade dos procedimentos adotados, mas não houve manifestação até o momento mais recente. O caso segue sob análise das autoridades competentes.







