Início Brasil Especialistas dizem que novo Código Civil pode facilitar ocupação de imóveis

Especialistas dizem que novo Código Civil pode facilitar ocupação de imóveis


Da redação

Especialistas em direito afirmaram nesta quinta-feira, 7, que a proposta de reforma do Código Civil em análise no Senado pode incentivar invasões de imóveis. Eles participaram da segunda audiência da comissão temporária que discute o projeto, e destacaram riscos jurídicos ligados ao texto, elaborado entre 2023 e 2024.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), membro da comissão, defendeu o debate “sem pressa” do PL 4/2025, de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Tereza afirmou que a intenção é entregar um trabalho que atenda à expectativa da sociedade. Segundo ela, “não vamos acertar tudo, mas que a gente acerte o máximo possível”.

O professor Paulo Doron Rehder de Araujo, da Fundação Getulio Vargas, alertou para potenciais conflitos gerados pela proposta, que considera um “barril de pólvora”. Conforme explicou, o texto dá mais poder para caseiros e guardas protegerem a propriedade, mas pode interpretar ocupantes como pessoas de boa-fé enquanto não houver decisão judicial.

O advogado Ricardo Alexandre da Silva propôs que quem cuida do imóvel em nome do proprietário também possa buscar o Judiciário em situações de urgência para evitar ocupações. “Apenas autodefesa da posse é pouco”, declarou, ao defender mecanismos judiciais mais amplos para proteger quem detém a posse do imóvel.

O desembargador Marco Aurélio Bezerra de Melo, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, afirmou que o conceito de boa-fé é claro e que a proposta deve resultar em maior estabilidade nos julgamentos. Segundo ele, “o possuidor de boa-fé é aquele convicto de que tem o melhor direito”, geralmente após obter anuência do proprietário do imóvel.

Representante da Confederação Nacional da Indústria, Juliana Cordeiro de Faria, avaliou que a proposta contempla aqueles que dão função social a terrenos abandonados, mas deixa desprotegido o proprietário diante de grupos mal-intencionados. Também participaram dos debates juristas, advogados e representantes de entidades jurídicas e acadêmicas.