Por Alex Blau Blau
Investigação envolvendo o Banco Master movimenta bastidores de Brasília, amplia embates entre governo e oposição e gera preocupação sobre impactos na corrida eleitoral de 2026
A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, provocou forte repercussão nos bastidores políticos de Brasília e abriu uma nova frente de desgaste dentro do campo conservador. A investigação tem como alvo o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas e ex ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao parlamentar e ao irmão dele, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima. A investigação apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e operações consideradas irregulares pela Polícia Federal.
O avanço da operação rapidamente repercutiu entre lideranças políticas e ampliou a tensão tanto na oposição quanto na base governista. Enquanto aliados de Ciro passaram a atuar para evitar que o caso contaminasse a articulação da direita para as eleições de 2026, integrantes do governo enxergaram uma oportunidade para associar o episódio ao senador Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores do Congresso Nacional, governistas intensificaram a defesa da criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para aprofundar as investigações envolvendo o Banco Master. Paralelamente, parlamentares e integrantes da base aliada passaram a impulsionar nas redes sociais a expressão “BolsoMaster”, utilizada para tentar conectar o escândalo ao grupo político ligado ao ex presidente Jair Bolsonaro.
A estratégia tem como objetivo ampliar o desgaste político da oposição e enfraquecer possíveis candidaturas do campo conservador para a próxima disputa presidencial.
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, utilizou as redes sociais para relacionar diretamente Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro ao caso investigado pela Polícia Federal. A publicação rapidamente repercutiu entre aliados e opositores do governo.
Do lado da oposição, lideranças bolsonaristas tentam conter o avanço da narrativa construída pela base governista. A avaliação de aliados de Flávio Bolsonaro é de que, até o momento, não existem elementos formais que liguem diretamente o senador ao caso investigado.
Mesmo assim, interlocutores do grupo político reconhecem que a repercussão da operação pode gerar desgaste eleitoral e afetar o ambiente de articulação da direita nos próximos meses.
O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva, afirmou que qualquer irregularidade deve ser investigada e responsabilizada pela Justiça, independentemente de posição política. Segundo ele, o caso não deve interferir diretamente na disputa eleitoral de 2026.
Flávio Bolsonaro também se manifestou sobre a investigação e declarou confiar na condução do caso pelo Supremo Tribunal Federal. O senador defendeu uma apuração rigorosa e transparente, mas evitou citar diretamente o nome de Ciro Nogueira em sua manifestação pública.
Nos bastidores políticos, o episódio também reacendeu divergências internas dentro da própria direita. Ciro Nogueira vinha ocupando espaço como um dos articuladores mais pragmáticos do grupo conservador e defendia aproximação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visando construir uma alternativa competitiva para a eleição presidencial.
A movimentação gerou resistência entre setores mais alinhados ao núcleo bolsonarista raiz, especialmente entre aliados que defendem uma candidatura diretamente ligada à família Bolsonaro.
As tensões também alcançaram negociações políticas em Santa Catarina. Lideranças do PL passaram a resistir a acordos articulados por Ciro Nogueira envolvendo apoio ao senador Esperidião Amin nas disputas estaduais. Com isso, ganhou força dentro do partido a possibilidade de uma chapa formada exclusivamente por nomes ligados ao bolsonarismo.
A investigação da Polícia Federal segue em andamento e deve continuar influenciando o cenário político nas próximas semanas. Enquanto governistas apostam no desgaste da oposição, aliados de Ciro Nogueira trabalham para evitar que a operação comprometa as articulações da direita para 2026.







