Início Brasil Estudantes da USP seguem ocupando reitoria e exigem melhorias em permanência estudantil

Estudantes da USP seguem ocupando reitoria e exigem melhorias em permanência estudantil

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Da redação

Estudantes da Universidade de São Paulo mantêm ocupada, nesta sexta-feira (8), a sede da reitoria da instituição, localizada no campus do Butantã, zona oeste da capital paulista. A mobilização começou na quinta-feira (7), com o objetivo de pressionar a gestão do reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado pela reabertura das negociações sobre demandas estudantis.

Os manifestantes alegam que a administração da USP teria encerrado unilateralmente as conversas em andamento, deixando de atender solicitações consideradas fundamentais. Entre os principais pontos reivindicados está o reajuste dos valores do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). Atualmente, o apoio é de R$ 885 para estudantes de tempo integral e R$ 320 para o tempo parcial.

Segundo os estudantes, a proposta apresentada pelo reitor na semana passada — de acréscimo de R$ 27 para o valor integral e R$ 5 para o parcial — foi considerada insuficiente. Além disso, eles destacam a necessidade de melhorias no Conjunto Residencial da USP (CRUSP), relatando ocorrências de falta de água, mofo e problemas estruturais nas moradias.

Os alunos relatam também insegurança alimentar nos restaurantes universitários. Apontam denúncias sobre fornecimento de comida estragada, larvas presentes nas refeições e filas extensas tanto para alimentação quanto para o transporte no campus. Segundo nota divulgada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), “o estopim para a ocupação é a extrema precarização das condições de inclusão e permanência enfrentadas na universidade”.

Felipe, estudante de Ciências Moleculares e membro do DCE, declarou: “Tudo que nós queremos é ser ouvidos”, ressaltando o distanciamento entre a direção da USP e a comunidade acadêmica. Os estudantes questionam ainda o orçamento previsto para 2026, de aproximadamente R$ 9 bilhões, e a recente bonificação de R$ 240 milhões concedida a professores em março.

A reitoria da USP, por meio de nota oficial, lamentou a “escalada de violência” com danos ao patrimônio público e informou que acionou forças de segurança para evitar novos prejuízos. Segundo a administração, reuniões com representantes estudantis vêm sendo realizadas desde 14 de abril, totalizando cerca de 20 horas de diálogo, e a expectativa dos alunos é pela reabertura das negociações para desocupação do prédio.