Início Brasil Criação de reserva extrativista no Maranhão pode causar prejuízo bilionário ao Brasil

Criação de reserva extrativista no Maranhão pode causar prejuízo bilionário ao Brasil


Da redação

O Maranhão enfrenta há mais de 20 anos uma disputa envolvendo a proposta de criação da Reserva Extrativista Tauá-Mirim nos arredores da ilha de São Luís. O projeto, sugerido originalmente em 2003 pela União dos Moradores do Taim, gera expectativa e apreensão nas comunidades locais devido a seus possíveis impactos econômicos e sociais.

A área proposta abrange 16,2 mil hectares e inclui doze comunidades tradicionais, além do Estreito dos Coqueiros, que é estratégico para o fluxo de navios e mercadorias. Na região funcionam terminais portuários de relevância para o Norte e Nordeste, operados por empresas voltadas à produção mineral e agrícola, apontando uma forte vocação logística e industrial no local.

As comunidades residentes estão divididas. A União dos Moradores do Taim defende a criação da reserva, enquanto a Associação de Moradores, de Pais e Mães do Jacamim (AMPMJ), representante da maior parte da população atingida, se posiciona contra, alegando que a medida contemplaria apenas um setor da Baía de São Marcos, restringindo-se à Ilha de São Luís.

Esses moradores contrários argumentam, principalmente nas redes sociais, sobre a ausência de serviços básicos como escolas e postos de saúde nas áreas ribeirinhas. Empresários locais dizem que “as empresas pensam em contrapartidas socioambientais”, citando iniciativas anteriores em que foram construídos equipamentos públicos pela empresa responsável por outro porto.

O projeto conta com apoio do ICMBio, Ibama, Ministério do Meio Ambiente e entidades civis ligadas à conservação ambiental. Entretanto, moradores e empresários alegam falta de diálogo, inclusive durante consulta pública realizada em 17 de abril, quando, segundo eles, representantes da AMPMJ foram impedidos de se manifestar por vaias ou controle de tempo.

A reserva extrativista depende de decreto presidencial para ser efetivada. Empresas estimam que a medida poderia causar perda de cerca de 51 mil empregos diretos, desapropriação de terras privadas, insegurança jurídica e impacto em investimentos de R$ 92 bilhões vinculados a contratos em vigor pelos próximos 20 anos.