Por Alex Blau Blau
Relatórios apontam reclamações de alimentação inadequada, atrasos de pagamento e supostos abusos contra trabalhadores envolvidos nas gravações da produção cinematográfica
A produção do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória política do ex presidente Jair Bolsonaro, passou a ser alvo de denúncias envolvendo condições precárias de trabalho nos bastidores das gravações realizadas em São Paulo. As reclamações vieram à tona meses após a revelação de um aporte de 61 milhões de reais ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Documentos elaborados pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo reuniram relatos de figurantes e profissionais técnicos que participaram da produção. Entre as principais queixas estão alimentação insuficiente durante longas jornadas, fornecimento de comida estragada, atrasos nos pagamentos e supostas revistas pessoais consideradas invasivas.
Segundo os relatos apresentados ao sindicato, parte da equipe principal teria recebido estrutura diferenciada, com refeições completas, enquanto figurantes brasileiros recebiam apenas pequenos lanches mesmo em expedientes superiores a oito horas. Também houve denúncias sobre pagamentos abaixo do valor praticado no mercado e contratação informal de trabalhadores por aplicativos de mensagens.
Outro ponto citado envolve a cobrança de valores para transporte até os locais de gravação. Trabalhadores afirmaram que o custo era descontado do próprio cachê diário. O relatório ainda registra acusações de assédio moral e até agressão física contra um figurante, que teria procurado a polícia para registrar ocorrência.
As denúncias também incluem abordagens consideradas abusivas na entrada das gravações, com relatos de revistas corporais feitas por seguranças. Além disso, o sindicato questiona a utilização de profissionais estrangeiros sem o recolhimento de taxas previstas na legislação brasileira do setor audiovisual.
A produtora responsável pelo longa não comentou as denúncias apresentadas no relatório. Posteriormente, a empresa negou ter recebido recursos de Daniel Vorcaro ou de empresas ligadas ao banqueiro.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Nas conversas, o parlamentar demonstrava preocupação com atrasos financeiros na produção e afirmava que a equipe enfrentava um momento delicado durante as filmagens.
Com orçamento apontado como um dos mais altos do cinema nacional recente, “Dark Horse” também chamou atenção no setor audiovisual pelo valor investido superar produções brasileiras reconhecidas internacionalmente. O filme ainda busca acordos de distribuição internacional e tem previsão de estreia para 2026.
Dirigido por Cyrus Nowrasteh, o longa aborda os acontecimentos ligados à campanha presidencial de 2018 e ao atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante o período eleitoral. O elenco reúne atores internacionais e artistas brasileiros ligados à produção.






