Início Eleições Anúncios pagos sobre o STF nas redes crescem 50 vezes desde 2020

Anúncios pagos sobre o STF nas redes crescem 50 vezes desde 2020

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Da redação

O Supremo Tribunal Federal passou a ser tema recorrente em campanhas políticas digitais no Brasil. Entre janeiro e abril de 2026, o volume de anúncios pagos sobre a Corte nas redes sociais chegou a cerca de 4,9 mil, segundo levantamento, número mais de 50 vezes superior ao registrado no mesmo período de 2020.

O aumento reflete a intensificação do debate político em torno do STF, especialmente às vésperas das eleições de 2026. Políticos, pré-candidatos e grupos de militância utilizam plataformas da Meta, como Facebook, Instagram e WhatsApp, para veicular campanhas críticas à atuação dos ministros, defender mudanças na Corte ou mobilizar apoiadores.

A liderança do movimento cabe, em grande parte, a pré-candidatos ao Senado. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) defendeu em março de 2026 a redução dos poderes do STF. O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) comemorou nos anúncios a rejeição da indicação de Jorge Messias. Vanderlan Cardoso (PSD-GO) divulgou pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.

Outros nomes, como Gustavo Gayer (PL-GO), afirmaram em campanhas que “só o Senado tem a prerrogativa de fazer o impeachment do STF”. Carlos Jordy (PL-RJ) chamou em 2025 de “Golpe de Estado do Supremo” as decisões dos ministros, citando mudanças de Gilmar Mendes nas regras de impeachment. Marcos Pollon (PL-MS) impulsionou anúncios sobre contratos entre o escritório da esposa de Moraes e o Banco Master.

Fora a disputa pelo Senado, candidatos majoritários também protagonizam as campanhas. O pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) lançou, em abril de 2026, propostas para o Supremo, questionando “os absurdos que acontecem no STF”. Kim Kataguiri, concorrente ao governo de São Paulo, divulgou abaixo-assinado pedindo a prisão de Alexandre de Moraes.

Especialistas destacam que críticas fundamentadas à Corte são parte legítima do debate eleitoral, mas ressaltam que ataques institucionais ou conteúdos que descredibilizem as instituições podem gerar questionamentos judiciais. “É preciso diferenciar liberdade de expressão de crime contra a honra”, afirma Alberto Rollo, advogado eleitoral. Já Ana Laura Barbosa chama atenção aos riscos de discursos que busquem minar a credibilidade institucional.

Além dos políticos, perfis e páginas nas redes sociais também passaram a impulsionar campanhas defendendo a criação de um código de conduta para ministros do Supremo. Tais conteúdos seguem a posição do presidente do STF, Edson Fachin, que defende publicamente a formalização de regras para a atuação dos integrantes da Corte.