Da redação
O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Henrique Miguel, declarou nesta semana que o Brasil não chegou atrasado à disputa global por inteligência artificial. Ele ressaltou que o cenário internacional mudou rapidamente devido ao avanço de ferramentas generativas e ao elevado investimento das grandes empresas de tecnologia.
Segundo Miguel, o desenvolvimento da inteligência artificial ganhou velocidade a partir da atuação de grandes empresas do setor, que ampliaram significativamente a escala da competição tecnológica. Ele afirmou que “as big techs têm investido volumes superiores aos de muitos países”, alterando o contexto mundial.
O secretário destacou a vantagem dos Estados Unidos e da China em relação ao volume de capital disponível, mas alertou para o papel central do financiamento privado em inteligência artificial. Segundo ele, a quantidade de recursos aplicada por empresas nesses países supera, inclusive, o que é investido em regiões como a Europa.
Henrique Miguel avaliou que a principal preocupação para o Brasil é a dependência de tecnologias estrangeiras em setores estratégicos, intensificada pelo uso da inteligência artificial em áreas como saúde, agricultura, educação, biologia, química e pesquisa científica. Ele ressaltou ainda o risco decorrente da concentração de infraestrutura em poucas empresas globais.
Miguel apontou que restrições ao acesso a tecnologias consideradas críticas podem afetar o Brasil, citando como exemplo contratos de aquisição de supercomputadores e infraestrutura avançada, que costumam prever cláusulas específicas. O secretário também mencionou a vulnerabilidade cibernética e a importância de desenvolver ferramentas próprias, além de recursos humanos qualificados, para garantir proteção de dados.
No que se refere à soberania digital, ele afirmou que o governo já transferiu dados sensíveis para dentro do país, com o Serpro e a Dataprev passando por atualizações em seus data centers e infraestrutura. Henrique Miguel enfatizou que os dados públicos sensíveis não devem sair do Brasil, reforçando a política de proteção de informações estratégicas.






