Início Brasil ANP confirma descoberta de petróleo cru em poço cavado por agricultor no...

ANP confirma descoberta de petróleo cru em poço cavado por agricultor no Ceará

- Publicidade -


Da redação

O agricultor Sidrônio Moreira descobriu petróleo em sua propriedade na região da Chapada do Apodi, na divisa entre Ceará e Rio Grande do Norte, em 2024. O fato ocorreu após empréstimo de R$ 15 mil para cavar um poço em busca de água. O Instituto Federal do Ceará confirmou a similaridade do líquido encontrado com petróleo.

Segundo o filho de Sidrônio, Saulo Santiago Moreira, a descoberta foi acidental. “Na primeira tentativa, saiu um líquido preto e depois parou”, relatou. Após tentativas frustradas em outro ponto, uma limpeza no poço revelou novo material. “Puxou uma caneca cheia de líquido e disse: ‘Isso aqui é petróleo’”, lembra Saulo.

O engenheiro químico Adriano Lima, responsável pela análise, relatou o caso como inusitado ao receber o produto encaminhado por um ex-secretário de agricultura local. Nesta terça-feira (19), a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) confirmou tratar-se de petróleo cru. A família e a Secretaria de Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará foram notificadas para avaliação ambiental.

O caso ganhou repercussão e transformou Sidrônio em figura conhecida. Em vídeo divulgado pela família, ele afirmou: “Fiquei muito satisfeito com a notícia. Agora, vamos esperar o próximo passo. Que tudo corra em paz e que isso saia logo”. De acordo com Saulo, o agricultor passou a ser chamado de “sheik” na região.

O subsolo brasileiro pertence à União, que concede o direito de exploração do petróleo por meio de leilões organizados pela ANP. Proprietários de terra recebem compensação financeira equivalente a 1% do valor da produção. Em 2025, 2.606 propriedades receberam juntos R$ 173,3 milhões, cerca de R$ 5.500 por mês cada.

A bacia Potiguar é uma das mais antigas do Brasil, com 57 campos produtores que extraem aproximadamente 30 mil barris diários, número modesto comparado aos 3,2 milhões do pré-sal. A ANP informou que estudará o contexto geológico do local, mas frisou que “não há garantia de que essa inclusão vá ocorrer” e destacou que são necessárias avaliações de órgãos ambientais e ministérios.