Início Mundo Mulheres da saúde defendem gênero como eixo central nas decisões do setor

Mulheres da saúde defendem gênero como eixo central nas decisões do setor


Da redação

Mulheres de países de língua portuguesa participam esta semana, em Genebra, da Assembleia Mundial da Saúde. Elas integram o grupo Women in Global Health, um movimento que busca ampliar a liderança feminina e a igualdade de gênero nos sistemas de saúde, ressaltando a relevância da representação lusófona nas discussões globais do setor.

O grupo Women in Global Health afirma que as mulheres são 70% da força de trabalho da saúde, mas apenas 25% ocupam cargos de liderança. A presidente da seção lusófona, Jalmira Mulechante, enfatiza que a assembleia “é um palco onde se discute a construção de sistemas de saúde mais resilientes e colaborativos” e defende a participação ativa das lusófonas.

Jalmira relata iniciativas como a colaboração transfronteiriça contra a malária e doenças tropicais negligenciadas, temas considerados prioritários para a comunidade lusófona. “É importante termos aqui neste palco global, porque a voz das lusófonas também importa”, comentou Mulechante, sublinhando a diversidade de países e contextos unidos pela língua portuguesa.

A cofundadora Raquel Peck destaca que o gênero não deve ser um ponto isolado nas agendas, mas atravessar todas as políticas de saúde. Ela participa de debates sobre cobertura universal, financiamento da saúde global, acesso a medicamentos e questões como saúde mental e eliminação da transmissão de HIV, hepatite B e sífilis de mãe para filho.

A psicóloga Bárbara Vieira, pesquisadora do movimento, observa a necessidade de discussões de gênero em todos os eixos da saúde global, não apenas em saúde sexual e reprodutiva. Ela ressalta a baixa priorização da saúde mental, mencionando que em alguns países o orçamento destinado ao setor é menor que 1%.

No Dia Internacional da Saúde da Mulher, em 28 de maio, a Women in Global Health promoverá um webinar sobre saúde menstrual, considerado direito fundamental. O movimento reforça que desigualdades de acesso são influenciadas por fatores sociais, econômicos, culturais e políticos, defendendo mais divulgação científica, reflexão interdisciplinar e advocacy.