Da redação
O ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses por trama golpista, ainda não iniciou a leitura de livros para fins de remição de pena. A autorização para participar do programa foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes em 15 de janeiro, no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF.
Relatórios semanais da Polícia Militar do Distrito Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal, desde janeiro, registraram “não houve” no campo reservado às atividades de leitura de Bolsonaro. Até o momento, doze relatórios já foram encaminhados, sem qualquer indicação de participação no programa de remição pelo ex-presidente.
Em contraste, outros condenados no mesmo processo têm recorrido à leitura para reduzir a pena. O ex-ministro Anderson Torres leu “A Metamorfose”, de Franz Kafka, enquanto o ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira realizou leituras de títulos como “Vidas Secas” e “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, entre outros.
O ex-comandante da Marinha Almir Garnier também aderiu ao programa. Entre suas escolhas estão “A bordo do contratorpedeiro Barbacena”, de João Carlos Gonçalves Caminha, e livros de cunho religioso, como “Como Deus transforma a tristeza em alegria”, “O agir invisível de Deus”, e “O vinho novo é melhor”.
A decisão de Moraes prevê que, a cada obra lida e devidamente resenhada, o detento pode reduzir quatro dias da pena. Entre as opções autorizadas estão “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva, premiado internacionalmente, além de “Democracia”, de Philip Bunting, e “Crime e Castigo”, de Dostoiévski.
A lista de livros aptos à remição é elaborada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal e homologada pela Justiça. O catálogo inclui títulos nacionais e estrangeiros que abordam temas como democracia, ditadura, racismo, desigualdade, gênero e regimes autoritários, com obras de autores como George Orwell, Djamila Ribeiro, Carla Madeira e Ana Maria Gonçalves.






