Da redação
Palavras de origem africana compõem o cotidiano dos brasileiros, nomeando comidas, sentimentos, partes do corpo e elementos culturais. Exemplos como aluá, axé, bagunça, berimbau, bunda, caçula, cafuné, dengo, fubá, moleque, quitanda, samba e xodó ganham destaque nas comemorações do Dia da África, em 25 de maio, reconhecido pela ONU.
As celebrações também foram marcadas pelo 1º Fórum de Reitores Brasil-África, promovido pelo Ministério da Educação em Brasília. O encontro discutiu a valorização da herança linguística africana, cuja contribuição é reconhecida por especialistas como fundamental para a formação da identidade linguística nacional.
O babalaô Ivanir dos Santos, pedagogo e doutor pela UFRJ, observa que palavras derivadas das línguas africanas envolvem múltiplas áreas da vida e da cultura brasileira. O filólogo Ricardo Stavola Cavaliere, membro da Academia Brasileira de Letras, destaca que a influência se manifesta na culinária, música e fauna presentes no vocabulário do português brasileiro.
Cavaliere explica que, frequentemente, os termos africanos mantêm o significado original, embora alguns tenham passado por mudanças semânticas e fonéticas. Ele cita o caso de “samba”, antes uma dança, hoje um gênero musical, além de mencionar palavras familiares como “dengo”, “caçula” e “cafuné”, esta última vinda do quimbundo.
A origem dessas palavras está relacionada a línguas como quimbundo, umbundo e quicongo, ligadas ao tráfico escravagista desde o século 16. No século 18, a chegada de pessoas de etnia iorubá ampliou a inserção de termos africanos, especialmente na linguagem ritualística do candomblé.
O pesquisador angolano Gio Cattuco aponta o aporte de vocábulos de raízes kikongo e kimbundu, como “muvuca”, “cambada” e “capanga”. Para o professor Augusto Ribeiro, o legado africano está presente tanto no vocabulário quanto nos modos de fala, e o professor Gilvan Muller de Oliveira ressalta a necessidade de estreitar laços acadêmicos e culturais entre Brasil e África.






