Da redação
O físico José Roque, diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem), anunciou que o Brasil está construindo seu primeiro laboratório público de biossegurança máxima, o Órion. Previsto para ser concluído em 2028, em Campinas, o laboratório nível 4 visa fortalecer a preparação para futuras crises de saúde.
Segundo José Roque, a pandemia de Covid-19 evidenciou a necessidade de infraestruturas adequadas para resposta rápida a emergências sanitárias. Ele afirmou que há consenso global sobre o risco constante de novas pandemias e destacou: “A lição da pandemia fez com que o Brasil voltasse a discutir infraestruturas de biossegurança”.
Durante a pandemia, o país ampliou laboratórios de biossegurança nível 3, que manipulam vírus como o Sars-CoV-2, mas que não permitem o manejo de agentes mais perigosos, como o ebola. O Órion surge para suprir essa lacuna e, conforme Roque, terá uma capacidade única por ser o único do mundo conectado ao acelerador de partículas Sirius.
O Sirius é uma fonte de luz síncrotron utilizada para investigar a estrutura de materiais em escala atômica e molecular. De acordo com Roque, três linhas de luz do Sirius serão direcionadas ao Órion para estudos que vão desde a entrada do vírus nas células até efeitos em tecidos e órgãos, incluindo imagens de alta resolução em animais de pesquisa.
Roque ressalta que o novo laboratório apoiará tanto pesquisadores brasileiros quanto internacionais. “Órion vai prever a capacidade de desenvolvimento de fármacos e participação com o Ministério da Saúde na área de vigilância sanitária, vamos poder fazer desenvolvimento de vacinas”, explicou o físico. O objetivo é integrar o Brasil a uma rede global de pesquisa em biossegurança.
O laboratório Órion também será equipado para contribuir com estudos de vírus como o ebola e o sabiá, este último já presente no Brasil. A expectativa é que o complexo coloque o país em posição de destaque na pesquisa biomédica e no enfrentamento de desafios sanitários globais, tornando-se referência em políticas de saúde pública na América Latina.






