Da redação
O julgamento sobre as eleições no Rio de Janeiro permanece sem definição após o pedido de vista do ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal, feito em abril. O estado continua sob comando interino de Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, enquanto decisões sobre a sucessão seguem suspensas.
A crise se intensificou após a renúncia do então governador, dias antes de ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral. O presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, também foi condenado pela Justiça Eleitoral. Isso permitiu que Ricardo Couto de Castro assumisse temporariamente o Executivo fluminense.
O impasse prosseguiu quando o deputado Douglas Ruas, aliado de Cláudio Castro e escolhido para presidir a Alerj, tentou assumir o governo temporário. No entanto, o Supremo Tribunal Federal barrou a posse até a conclusão do julgamento. Douglas Ruas permanece cotado para disputar uma eleição para o mandato-tampão, mas não há previsão para sua realização.
Setores da direita fluminense demonstram insatisfação com a situação, classificando o acúmulo de funções de Ricardo Couto como “aberração institucional”. Ricardo Couto, enquanto interino, ampliou cortes administrativos e revisou contratos que totalizam R$ 81 bilhões, promovendo mudanças nas estruturas do estado.
O cenário agravou-se após a Polícia Federal revelar, em 27 de junho, encontros entre Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro dias antes de aportes milionários do Rioprevidência no Banco Master. Documentos apontam que Castro participou de evento restrito organizado por Vorcaro em Nova York, com aporte de recursos feito ao banco na sequência.
Antes do avanço das investigações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve ao lado de Ricardo Couto em evento público, onde pediu a prisão de “todos os ladrões” e integrantes de “milícias organizadas” ligadas à política fluminense. As declarações acirraram o ambiente político e influenciam os planos dos grupos conservadores para o governo estadual.




