Da redação
As forças de segurança de Israel e da Rússia foram incluídas na lista anual da ONU sobre violência sexual em conflitos, conforme relatório obtido nesta quinta-feira, 28. A inclusão ocorre após acusações feitas por prisioneiros em contextos de guerra na Ucrânia e em territórios palestinos ocupados, de acordo com o documento.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, havia emitido um alerta em agosto do ano passado sobre a possibilidade de inclusão dos dois países. Apesar disso, segundo o relatório, os inspetores continuaram registrando episódios e manifestações de violência sexual em ambos os cenários, informação que deverá ser encaminhada aos países membros do Conselho de Segurança.
O relatório também aponta que autoridades de Israel e da Rússia dificultaram o acesso dos inspetores da ONU aos locais de detenção, mesmo após o alerta emitido em 2023. A negativa persistente de acesso foi ressaltada como um obstáculo para o levantamento completo das denúncias.
Sobre Israel, o relatório afirma que, em 2023, continuaram sendo registrados casos de violência sexual contra palestinos detidos em Israel e nos territórios palestinos ocupados. Segundo a ONU, as ocorrências verificadas indicam tendências ao longo dos anos, mas não são exaustivas, devido à restrição de acesso aos centros de detenção.
A ONU confirmou vários casos de violência sexual, inclusive tortura, ocorridos em 2023 e registrados em 2025, envolvendo 14 homens, 7 mulheres, 9 meninos e uma menina na Faixa de Gaza e Cisjordânia. As práticas denunciadas incluem estupro com objeto, estupros coletivos, nudez forçada, agressão física a genitais e revistas corporais consideradas injustificadas.
O documento também identificou membros das forças armadas e do serviço penitenciário russos como responsáveis por violência sexual em territórios ucranianos ocupados e na Rússia, totalizando 310 casos, a maioria contra homens, segundo dados da missão de monitoramento de direitos humanos na Ucrânia.






