Da redação
Bancos centrais da América Latina mantêm expectativas de inflação bem ancoradas, fator que, segundo estudo do Fundo Monetário Internacional, ajuda a mitigar impactos da alta do petróleo e evita nova onda inflacionária. A análise foi divulgada nesta semana e abrange países como Brasil, México, Colômbia, Chile e Peru.
O levantamento aponta que, após a pandemia, os choques de oferta não alteraram significativamente as expectativas de inflação de longo prazo na maioria dos países da região. Esse cenário reduziu a transmissão de aumentos nos preços da energia e de matérias-primas para o consumidor final, fortalecendo a resiliência das economias latino-americanas.
Segundo a publicação, expectativas bem ancoradas de inflação facilitam o trabalho dos formuladores de políticas econômicas, ao permitir a gestão de compromissos diante de variações intensas do preço do petróleo. O estudo destaca que as principais economias do continente conseguiram alcançar esse padrão graças a reformas implementadas ao longo dos últimos 25 anos.
Dentre as medidas adotadas, destacam-se sistemas de metas de inflação, fortalecimento da independência dos bancos centrais e o fim da dominância orçamental. Essas transformações, de acordo com o FMI, consolidaram a credibilidade monetária e contribuíram para encerrar longos períodos de inflação elevada e volátil na América Latina.
Ainda assim, o organismo ressalta que, apesar das melhorias, as previsões de inflação na região seguem mais distantes das metas estabelecidas em comparação com as economias avançadas. O FMI alerta que essa credibilidade pode ser perdida rapidamente diante de políticas monetárias excessivamente expansionistas ou mudanças bruscas nos marcos institucionais vigentes.
Como dado de contexto, o estudo observa que a América Latina enfrenta atualmente a maior perturbação da história recente do mercado global de petróleo. Segundo o relatório, quando as expectativas de inflação permanecem estáveis, as economias mostram maior capacidade de absorver choques externos sem desestabilizar seus preços internos.





