Da redação
Uma atendente do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de São Paulo identificou um pedido de “pizza” como um código de socorro. O caso ocorreu na noite de 23 de maio, no Jardim São Francisco, zona sul da capital, quando uma mulher vítima de violência doméstica precisou acionar ajuda sem alertar o agressor.
Segundo a atendente Suzi Freitas, bastaram alguns segundos para perceber o risco. “Quando elas ligam pedindo pizza, a gente já identifica que é um perigo, que é uma emergência bem delicada”, explicou. Ela afirmou que rapidamente tomou providências e acionou o 37º Batalhão da PM para socorrer a vítima.
Durante a ligação, a vítima conseguiu se manter calma e forneceu informações sem levantar suspeitas. “Ela estava aflita, mas conseguiu falar de forma tranquila. A gente percebe quando a pessoa está correndo perigo”, relatou Suzi. O diálogo, iniciado com “Oi, eu gostaria de pedir uma pizza”, permitiu à atendente registrar a ocorrência e enviar o resgate.
Suzi, com cerca de um ano de experiência, destacou que os casos envolvendo violência doméstica exigem atenção especial dos atendentes. “Quando é uma mulher correndo perigo, é um risco de vida. É alguém que precisa de ajuda urgente”, afirmou. Ela atende dezenas de ligações diariamente e relata aumento de ocorrências do tipo.
Dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo indicam que entre janeiro e abril de 2026, foram registrados mais de 127 mil casos de violência doméstica no estado, alta de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025. O número de feminicídios subiu de 82 para 107 e as ocorrências de descumprimento de medidas protetivas passaram de 7.727 para 9.031.
A sargento Ana Claudia, responsável pelo treinamento dos atendentes, informou que a central recebe entre 30 mil e 40 mil ligações diariamente, incluindo até 500 registros diários de violência doméstica. Os profissionais recebem preparo específico para acolher vítimas e orientar as mulheres a buscar ajuda, inclusive por meios digitais e aplicativos oficiais.





