Da redação
O fornecimento de refeições em três restaurantes comunitários do Distrito Federal está prejudicado desde março de 2025. As unidades de Ceilândia Centro, Sol Nascente e Estrutural, administradas pela Serví Gastronomia Industrial LTDA, enfrentam atrasos de salários e dívidas com fornecedores, gerando instabilidade no serviço prestado à população.
O processo licitatório foi conduzido pela Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), que estipulou valor base de R$ 61,8 milhões para a gestão dos restaurantes. A Serví venceu o certame propondo R$ 31,2 milhões. Em fevereiro, assinou contratos para Sol Nascente e Estrutural no valor de R$ 18,6 milhões; o contrato de Ceilândia Centro não foi disponibilizado pelo órgão.
Foram registrados relatos de colaboradores trabalhando sem contrato formal, sem remuneração e realizando jornadas de até 17 horas diárias, segundo o chefe de cozinha José Reis. Ele afirma que chegou a arcar com as passagens dos colegas para garantir o funcionamento da equipe, relatando também escassez constante de insumos, atrasos na entrega de proteínas e hortaliças e atendimento feito de modo improvisado.
Rodrigo César, fornecedor de insumos, relata que a Serví acumulou dívidas estimadas em R$ 1 milhão com uma série de credores, incluindo fornecedores de alimentos e equipamentos. A inadimplência começou quando os repasses para os fornecedores cessaram. César organizou uma lista com os débitos acumulados pela empresa junto a pessoas físicas e jurídicas.
A Serví, registrada desde 2014 em Macapá, Amapá, responde a investigações por suspeita de facilitação de entrada de itens ilícitos no sistema prisional do Amapá e recebe acusações de fornecer menos refeições que o contratado. O sócio-administrador Cleyton dos Santos Amanajás responde a processos por inadimplência no Paraná, com compras não relacionadas ao serviço, incluindo itens de luxo e passagens internacionais.
Usuários do restaurante da Estrutural relatam queda na qualidade e quantidade das refeições, restrição na distribuição de marmitas e problemas de higiene. Procurada, a Sedes não respondeu aos questionamentos sobre alertas internos, atrasos ou eventuais apurações em andamento. Cleyton também não se pronunciou até o fechamento da reportagem.






