Da redação
O ministro da Defesa da Bolívia, Marcelo Salinas, pediu demissão nesta terça-feira, 2 de julho, após protestos que há mais de um mês exigem a saída do presidente Rodrigo Paz. A saída foi confirmada por uma fonte do Ministério da Defesa, em meio à crescente pressão social em várias cidades do país.
Os protestos mobilizam trabalhadores, camponeses, mineradores, motoristas e professores, que pedem resposta à crise econômica apontada como a mais grave Boliviana em quarenta anos. O governo não descarta a possibilidade de decretar estado de exceção para empregar as Forças Armadas no controle das manifestações, conforme apurado.
Após a saída de Salinas, o governo nomeou Ernesto Justiniano, atual vice-ministro de Defesa Social e Substâncias Controladas, para ocupar o Ministério da Defesa. Justiniano é conhecido no país por sua atuação como responsável pelas políticas de combate às drogas, segundo veículos da imprensa local.
Mesmo diante da pressão popular e dos bloqueios, as autoridades reforçaram a disposição para o diálogo. No entanto, líderes das organizações que impulsionam os protestos não atenderam aos chamados do governo para negociações, o que mantém o impasse nas principais cidades.
De acordo com dados oficiais divulgados nesta semana, cerca de cem bloqueios de estradas são registrados na Bolívia, quase o dobro do contabilizado há duas semanas. Essas ações provocaram falta de produtos essenciais como alimentos, medicamentos e combustíveis, especialmente em La Paz e El Alto.
Em notas divulgadas à imprensa, a administração do presidente Rodrigo Paz declarou que há uma tentativa de “alterar a ordem democrática”. Além disso, responsabilizou o ex-presidente Evo Morales, que governou o país entre 2006 e 2019, por incentivar as manifestações contrárias ao governo atual.







