Da redação
Elcina Pereira Brito, 58 anos, morreu na terça-feira (2/6) após ser atropelada por um carro conduzido por Erick Sávio Alves de Souza, 21, no Setor Habitacional Arapoanga, Distrito Federal. O motorista, sem habilitação e sob efeito de drogas, foi preso preventivamente. O caso trouxe à tona debates sobre segurança viária.
A costureira, reconhecida por sua atuação comunitária, foi velada na quarta-feira em Formosa (GO). O acidente foi registrado por câmeras de segurança, mostrando o veículo invadindo a pista de pedestres e ciclistas, e Elcina morreu no local. O motorista admitiu à polícia ter consumido maconha e Rohypnol antes de dirigir. Foram apreendidas drogas e medicamentos com ele.
De acordo com dados do Detran-DF, os casos fatais nas vias do Distrito Federal aumentaram, com 272 mortes em 2025, alta de 18,7% em relação a 2024. Pedestres representam um quarto das vítimas. Só no último fim de semana, outras duas pessoas morreram atropeladas no DF em menos de uma hora.
Para Gustavo Serafim, especialista em mobilidade urbana pela UnB, “o DF tem velocidades altíssimas e isso inevitavelmente aumenta o número de mortos e atropelados”, citando dados da Opas que indicam que redução de 5% na velocidade pode diminuir em até 30% os acidentes fatais. Ele defende também mais investimento em redutores físicos e infraestrutura.
Dados do Detran-DF apontam ainda disparidades entre regiões. Samambaia, Planaltina, Taguatinga e Gama concentram mais sinistros fatais, refletindo desigualdade na oferta de calçadas e ciclovias. Segundo o professor Thiago Trindade, a precarização do transporte público tem levado mais pessoas ao uso de veículos individuais, aumentando o risco.
Nos quatro primeiros meses de 2026, 73 pessoas já perderam a vida no trânsito do DF. Entre as vítimas, 78% têm entre 20 e 59 anos; 79,4% são homens. Motociclistas lideram as estatísticas, respondendo por 43,8% dos óbitos, seguidos por pedestres (24,6%), passageiros (17,8%), condutores (9,5%) e ciclistas (4,1%).





