Da redação
Deputados federais da base do governo Lula viajaram aos Estados Unidos nos últimos dias para tentar conter a influência da família Bolsonaro junto à Casa Branca e solicitar apoio da oposição ao ex-presidente Donald Trump contra as novas tarifas comerciais anunciadas ao Brasil. A comitiva desembarcou em Washington para reuniões com parlamentares democratas.
A viagem ocorreu cerca de dez dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, se reunir com Donald Trump nos EUA. O encontro antecedeu o anúncio de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelo governo americano, o que ampliou o debate sobre a relação comercial entre os dois países.
Flávio Bolsonaro, que ganhou destaque ao comentar a classificação do PCC e CV como organizações narcoterroristas pelos Estados Unidos, busca evitar o desgaste relacionado ao aumento tarifário. O grupo de deputados do governo Lula, liderado por Pedro Uczai, inclui Jandira Feghali, André Janones e Pedro Campos.
Segundo os deputados, foram apresentados documentos, reportagens e bases de dados aos democratas americanos, pedindo cooperação na investigação de supostas conexões criminosas internacionais. As informações mencionam estruturas empresariais ligadas a Daniel Vorcaro, ao extinto Banco Master, fundos associados à Reag e a políticos próximos à família Bolsonaro.
De acordo com o grupo, “a hipótese investigativa central é a possível utilização dos Estados Unidos como etapa de ocultação, dissimulação ou integração de valores originados de crimes antecedentes investigados no Brasil”, conforme documento disponibilizado. Jandira Feghali ressaltou a demanda pelo cancelamento das tarifas comerciais e o reforço à cooperação, sem intervenção estrangeira.
Os deputados também incluíram na pauta a defesa do sistema Pix, citado pelos Estados Unidos como razão para a tarifação. Desde 2025, a Operação Carbono Oculto investiga relações da gestora Reag com o PCC, com participação de várias autoridades brasileiras. O governo Lula e especialistas se opõem à classificação de facções como terroristas, por temer riscos de intervenções externas.






