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Instituto Conhecer Brasil contratou advogado de Frias para programa com Prefeitura de SP


Da redação

O Instituto Conhecer Brasil contratou um escritório que também representou o deputado federal Mário Frias (PL-SP) para atuar na execução de um programa de manutenção de pontos de acesso Wi-Fi em comunidades da periferia de São Paulo. O programa, em parceria com a Prefeitura, é investigado pela Polícia Civil por suspeita de fraude e desvio de recursos públicos.

O advogado Diego Martinez recebeu R$ 341,9 mil do Instituto, conforme prestação de contas, sem detalhamento dos serviços prestados. A entidade fechou em junho de 2024 um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura para instalar cinco mil pontos de internet gratuita, dos quais 3.200 foram instalados até o momento.

A Polícia Civil de São Paulo apura possível confusão patrimonial entre o instituto e a produtora Go Up Entertainment, ambos sob gestão de Karina Ferreira da Gama. Segundo o delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, há suspeitas de desvio de recursos do programa “WiFi Livre SP” para custear o filme “Dark Horse”, inspirado na vida de Jair Bolsonaro e roteirizado por Frias.

Entre julho de 2024 e julho de 2025, o Instituto efetuou 12 pagamentos ao escritório Aguilera Martinez, descritos genericamente como “prestação de serviços jurídicos”. No mesmo período, esse escritório representou Mário Frias em quatro processos judiciais, sendo três na Justiça Eleitoral e um estadual. O contrato municipal com a ONG prevê ainda um aditivo de R$ 49,1 milhões para manutenção, totalizando R$ 157,1 milhões.

Em 2024, Frias destinou duas emendas parlamentares, de R$ 1 milhão cada, para projetos da ONG. Parte desses recursos financiou pagamentos ao advogado Fabio Lago Meirelles, que defende Frias em ao menos nove processos. A ONG ainda contratou Marcelo Machado, dirigente de outra entidade de Karina, o que é vedado pela legislação.

A Prefeitura de São Paulo negou irregularidades, chamando as suspeitas de “ilação irresponsável, sem fundamento e sem provas”. A administração afirmou que a seleção do Instituto Conhecer Brasil ocorreu via chamamento público, com duração de 30 dias, e que colaborou com a investigação policial, reiterando o cumprimento das exigências legais no processo.