Da redação
O exército de Israel é acusado de utilizar bombas de fósforo branco em áreas povoadas no sul do Líbano em 30 de maio, durante combates contra o Hezbollah. Segundo especialistas, imagens analisadas confirmam a presença do composto químico na cidade de Nabatieh, levantando preocupações sobre possíveis violações de leis internacionais.
Especialistas afirmam que o fósforo branco, utilizado para criar cortinas de fumaça, queima ao contato com o ar e é de difícil extinção. Embora tenha emprego militar permitido em determinadas circunstâncias, seu uso contra civis viola convenções internacionais. Imagens publicadas em redes sociais, posteriormente periciadas, mostraram traços da substância em zonas habitadas.
As Forças de Defesa de Israel declararam, em nota, que “os principais projéteis de cortina de fumaça usados pelas Forças de Defesa de Israel não contêm fósforo branco”. Acrescentaram ainda que, nos casos em que utilizam a substância, “são usados para criar cortinas de fumaça, e não para atingir alvos ou provocar incêndios”.
O governo do Líbano informou a ONU sobre impactos ambientais, relatando que mais de 600 incêndios atingiram o sul do país associados ao uso do composto químico. Defensores de direitos humanos, como a Human Rights Watch, criticaram o uso do fósforo branco em áreas civis e apontaram a existência de alternativas menos prejudiciais.
De acordo com Ahmad Beydoun, pesquisador independente, Israel já teria recorrido ao fósforo branco em Gaza em 2009 e, após os ataques do Hamas em 2023, utilizou a substância mais de 200 vezes no Líbano. O protocolo 3º da Convenção sobre Certas Armas Convencionais proíbe ataques a civis com armas incendiárias.
O fósforo branco é classificado como arma incendiária e não como arma química, segundo tratados internacionais. Seu emprego militar remonta à Primeira Guerra Mundial e, desde então, diversos países, como Estados Unidos, França, Rússia, Armênia, Azerbaijão e Ucrânia, enfrentaram acusações semelhantes em conflitos recentes.





