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Produtora de ‘Dark Horse’ e Wi-Fi Livre são investigadas por manipulação eleitoral em SP


Da redação

A produtora do filme “Dark Horse”, dirigida por Karina Ferreira da Gama, é investigada por suposto uso ilegal de dados pessoais coletados do Wi-Fi gratuito da prefeitura de São Paulo. O caso ganhou força durante a campanha municipal de 2024, quando a empresa repassou informações a uma agência de marketing digital, segundo apurado.

De acordo com as investigações, a Talk Communications, beneficiária desses dados, recebeu cerca de R$ 2,7 milhões em contratos de marketing durante o período em que Ricardo Nunes (MDB) foi reeleito prefeito. A produtora de Karina opera sob o mesmo CNPJ que assinou contrato de mais de R$ 108 milhões para instalar pontos de internet gratuita na cidade.

Karina Ferreira da Gama também está no centro de investigações sobre envio irregular de recursos de Daniel Vorcaro, do Banco Master, aos Estados Unidos, supostamente para financiar o filme. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que defende um novo inquérito para apurar o envio desses valores ao exterior com finalidade de financiamento ao “Dark Horse”.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, declarou não ter conhecimento de compartilhamento de dados pessoais e informou que análises de conformidade contratual dependem da apuração de fatos concretos. Não houve resposta da produtora de Karina aos questionamentos enviados até o momento.

A cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas, considerou as denúncias “extremamente graves” e destacou a existência de uma estrutura profissionalizada. Santana afirmou que, se confirmados os indícios, há envolvimento de empresários, recursos volumosos e articulação internacional, indo além de mera militância espontânea.

Nos bastidores, a conexão financeira de Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, já foi apontada em delações e reportagens. Segundo investigações, a produtora é suspeita de integrar um ecossistema de contratos milionários, fluxo robusto de caixa e uso sistemático de dados pessoais para campanhas políticas.