Da redação
Casas de apostas regularizadas que figuram entre as principais do Brasil firmaram, a partir de 2024, parcerias com a Blackbox, empresa do Espírito Santo investigada pela Polícia Federal. A PF aponta que a Blackbox integra a infraestrutura financeira de esquema que resultou na prisão do funkeiro MC Ryan SP, em operações deflagradas em abril deste ano.
A Blackbox, que se apresenta como “o maior hub de bets do Brasil”, oferece um aplicativo para indicar aos apostadores onde obter o maior cashback. Ela afirma manter contratos com 15 casas de apostas, incluindo Betano, Estrelabet, Superbet, Zero Um e Upbet, além de uma rede de influenciadores. Seus sócios foram presos na Operação Narco Fluxo.
Segundo a PF, a Blackbox, registrada em nome de Thadeu José Chagas Silveira e Renan Costa da Mata, é investigada por atuar em uma rede suspeita de captar dinheiro ilícito para lavagem e repasse a MC Ryan SP. A investigação aponta pagamentos simulados ao funkeiro, que totalizaram pelo menos R$ 1,3 milhão, feitos entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025.
A própria Blackbox afirmou, por meio de advogado, que todos os contratos são regulares e que o negócio com MC Ryan SP não tem ligação com crimes. No entanto, investigadores indicam que a empresa processou outra firma ligada ao funkeiro e que a cobrança só ocorreu em março de 2025. A PF apura ainda relações da Blackbox com apostas ilegais e uso de criptoativos.
Após a deflagração da operação policial, a Betano e a ZeroUm encerraram as parcerias com a Blackbox. A Superbet preferiu não se manifestar, enquanto não houve retorno de representantes da Upbet. Apesar do desligamento, marcas das casas continuam visíveis em publicações da Blackbox em redes sociais e páginas institucionais.
Fundada em 2021, com sede na Serra, Grande Vitória, a Blackbox se destacou como patrocinadora de clubes do Espírito Santo, incluindo Rio Branco, Vitória, Desportiva e Serra. O contrato com o Rio Branco chegou a R$ 4 milhões. Autoridades e clubes afirmam não terem informação prévia de irregularidades envolvendo a empresa antes das investigações da Polícia Federal.





