Da redação
A suspensão da pesquisa Atlas/Bloomberg pelo TSE, determinada na segunda-feira (8) após pedido de Flávio Bolsonaro (PL), gerou reações divergentes na cena política. O levantamento, encomendado pela Bloomberg e considerado negativo para o senador, deixou a esquerda em alerta, principalmente em relação ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que Flávio Bolsonaro enfrenta “profundo desgaste” após a revelação do pedido de recursos ao ex-dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”. Segundo Uczai, o senador “quando não consegue ganhar na mensagem, ataca o mensageiro”. Lindbergh Farias (PT-RJ) avaliou que Flávio deu um “tiro no pé” ao “pedir censura”, pois reacendeu o debate sobre o áudio vazado.
O PL, no entanto, adotou postura reservada sobre a decisão do TSE. Flávio Bolsonaro limitou-se a compartilhar a notícia da suspensão nas redes sociais, sem divulgar nota ou vídeo. Carlos Jordy (PL-RJ) foi um dos poucos a se manifestar, chamando a pesquisa de “fake”. De acordo com petistas, há preocupação de que Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, venha a ceder mais frequentemente a pleitos do PL.
O PT considera a decisão uma ação invasiva contra o método da Atlas, classificando os argumentos para retirada do levantamento como frágeis. Mesmo assim, lideranças da legenda avaliam que não vale a pena se indispor publicamente com o presidente do TSE em ano eleitoral, visto que o episódio não envolve diretamente o partido.
A pesquisa Atlas foi divulgada em 19 de maio e ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18, pelo método Atlas RDR. O levantamento indicava Flávio Bolsonaro com desempenho seis pontos percentuais inferior a Lula num possível segundo turno, segundo os dados apresentados.
O questionário submetido ao TSE demonstrou que o áudio entre Flávio e Daniel Vorcaro foi exibido apenas ao final do levantamento e não houve possibilidade de alterar respostas prévias. A AtlasIntel afirmou que a coleta de intenções de voto ocorreu sem reprodução do áudio durante a pesquisa e defendeu o rigor científico da metodologia.
A pré-campanha do PL argumentou que o questionário teria sido “estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”. Segundo nota, as associações feitas entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master “contaminam e induzem as respostas dos entrevistados”.





